Quais são os cuidados necessários ao tratar a sarna?
A escabiose é uma infecção parasitária altamente contagiosa causada pelo ácaro Sarcoptes scabiei var. hominis. Para garantir a erradicação eficaz do parasita e prevenir reinfecções ou transmissão secundária, é fundamental seguir rigorosamente algumas medidas complementares ao tratamento medicamentoso:
Primeiramente, todos os membros da mesma residência — mesmo que assintomáticos — devem ser tratados simultaneamente, pois o ácaro pode estar presente em fase pré-clínica (período de incubação de 2 a 6 semanas em indivíduos não previamente sensibilizados). Isso evita ciclos contínuos de reinfecção.
O tratamento tópico (como permethrina a 5% ou crotamiton) deve ser aplicado em todo o corpo, da linha do cabelo até as solas dos pés, incluindo áreas frequentemente negligenciadas: entre os dedos das mãos e dos pés, axilas, umbigo, genitália, mamilos e pregas cutâneas. Em lactentes, crianças pequenas e idosos, também se recomenda aplicar nas palmas das mãos e plantas dos pés. A medicação deve permanecer na pele por tempo adequado (geralmente 8–14 horas para permethrina), conforme orientação médica.
É indispensável a desinfecção rigorosa de roupas, lençóis, toalhas e objetos de uso pessoal: lavagem em água quente (≥60 °C) seguida de secagem em temperatura elevada, ou armazenamento em sacos plásticos herméticos por pelo menos 72 horas (tempo necessário para morte dos ácaros fora do hospedeiro). Travesseiros, colchões e estofados devem ser aspirados cuidadosamente; embora a desinfecção ambiental não seja prioritária (pois o ácaro sobrevive poucas horas fora da pele humana), ela contribui para segurança adicional.
Evite coçar intensamente as lesões, pois isso pode levar a infecções bacterianas secundárias (ex.: impetigo), exigindo antibioticoterapia adicional. Caso surjam sinais de infecção — como aumento de vermelhidão, calor local, edema, pus ou febre — procure imediatamente avaliação dermatológica ou clínica.
Após o tratamento, a prurido pode persistir por até 2–4 semanas devido à resposta alérgica residual aos antígenos do ácaro e seus resíduos — isso não indica falha terapêutica, desde que não haja novas lesões vesiculares ou túneis típicos. Se surgirem novas lesões após 2 semanas do tratamento completo, deve-se investigar aderência inadequada, reinfecção ou resistência (embora rara), com nova avaliação médica e possível re-tratamento.
Por fim, pacientes imunossuprimidos (ex.: com HIV avançado, uso crônico de corticosteroides ou quimioterapia) estão em risco aumentado de formas graves, como a escabiose norueguesa (hiperqueratótica), que exige abordagem mais agressiva e acompanhamento especializado.