Qual é o tratamento para infecção fúngica das pálpebras em ambos os olhos?
O tratamento da infecção fúngica das pálpebras (também denominada tinea palpebrarum ou dermatofitose palpebral) exige abordagem cuidadosa, pois a pele palpebral é extremamente fina e sensível, e o uso inadequado de medicamentos — especialmente corticosteroides tópicos — pode agravar a condição ou desencadear complicações como ceratite fúngica ou glaucoma secundário.
A conduta inicial consiste na confirmação diagnóstica por meio de exame micológico direto com hidróxido de potássio (KOH) e cultura fúngica do material coletado por raspado da borda palpebral ou da região afetada. Em casos duvidosos ou refratários, pode-se recorrer à dermatoscopia ou à biópsia com coloração especial (ex.: PAS) para identificar hifas no tecido.
O tratamento primário é tópico, com antifúngicos não esteroides, como clotrimazol 1%, miconazol 2% ou terbinafina 1% em creme ou pomada, aplicados duas vezes ao dia, por um mínimo de 2–4 semanas — mesmo após a resolução clínica dos sinais, para prevenir recidivas. É fundamental orientar o paciente sobre higiene rigorosa: evitar compartilhar toalhas, maquiagem ou utensílios oftalmológicos; lavar as mãos antes e depois do manuseio palpebral; e descartar produtos cosméticos utilizados durante o surto.
Em casos extensos, recorrentes ou associados a outras formas de dermatofitose (ex.: tinea corporis, unha ou couro cabeludo), está indicado tratamento sistêmico com itraconazol (100–200 mg/dia por 2–4 semanas) ou terbinafina (250 mg/dia por 2–3 semanas), sempre sob supervisão oftalmológica e dermatológica, com monitorização hepática prévia e durante o tratamento. Contraindica-se o uso empírico de corticoides tópicos isoladamente, uma vez que podem mascarar os sintomas e favorecer a disseminação fúngica.
É essencial investigar fatores predisponentes, como imunossupressão, diabetes mellitus mal controlado, uso crônico de antibióticos ou corticoides tópicos, ou exposição frequente a ambientes úmidos. O acompanhamento clínico deve ocorrer a cada 2–3 semanas até a cura microbiológica confirmada, com ênfase na adesão terapêutica e na prevenção de transmissão interpessoal.