Como é a cirurgia de remoção do embrião por histeroscopia?
A histeroscopia para remoção do embrião é um procedimento cirúrgico minimamente invasivo, realizado sob anestesia geral ou raquianestesia, com o objetivo de retirar tecido gestacional (embrião e/ou produtos da concepção) diretamente da cavidade uterina. Diferentemente do curetagem convencional (dilatação e curetagem – D&C), a histeroscopia permite visualização direta e em tempo real da cavidade uterina por meio de um endoscópio fino equipado com câmera e sistema de iluminação. Isso possibilita uma remoção mais precisa, seletiva e segura do tecido gestacional, reduzindo significativamente o risco de lesões uterinas, perfurações, síndrome de Asherman (aderências intrauterinas) e curetagem incompleta.
Esse procedimento é indicado principalmente em situações específicas, como abortamento incompleto com sangramento persistente, gravidez ectópica cervical ou intramural (rara, mas potencialmente grave), restos ovulares após abortamento espontâneo ou medicamentoso, ou quando há suspeita de anomalias uterinas associadas (ex.: septo uterino, miomas submucosos) que possam ter contribuído para a interrupção da gestação. Também pode ser considerado em mulheres com histórico prévio de complicações pós-curetagem ou em casos de alto risco obstétrico onde a preservação da integridade endometrial é prioritária.
Embora seja tecnicamente mais exigente e dependa de experiência especializada, a histeroscopia diagnóstica e terapêutica oferece vantagens claras em termos de segurança, precisão diagnóstica e preservação da função reprodutiva. A recuperação é geralmente rápida — muitas pacientes retornam às atividades normais em 24 a 48 horas — e as complicações são raras quando realizada por profissionais treinados em centros com infraestrutura adequada. É fundamental que a indicação seja individualizada, com avaliação prévia cuidadosa por ginecologista especializado em endoscopia ginecológica ou reprodução humana.