Qual é a causa das espinhas que aparecem acima dos lábios?
A presença de espinhas ou pápulas inflamatórias na região superior do lábio — frequentemente chamada de “lábio superior” ou “zona acima do lábio” — pode ter diversas causas, muitas delas relacionadas à fisiologia cutânea e hormonal específica dessa área. Essa região faz parte da chamada “zona T” do rosto e é rica em glândulas sebáceas, o que a torna particularmente suscetível à acne vulgaris, especialmente em adolescentes e adultos jovens.
Uma das causas mais comuns é a acne hormonal, frequentemente associada a flutuações nos níveis de androgênios (como a testosterona), que estimulam a produção excessiva de sebo, favorecendo o entupimento dos folículos pilossebáceos e o crescimento de Propionibacterium acnes. Em mulheres, surtos recorrentes nessa região podem estar ligados ao síndrome das ovários policísticos (SOP), hiperandrogenismo funcional ou alterações pré-menstruais.
Também é importante considerar fatores externos: o uso frequente de cosméticos comedogênicos (como certos batons ou protetores labiais), a depilação com cera ou lâmina nesta região — que pode causar foliculite irritativa ou pseudofoliculite —, além do contato repetido com objetos contaminados (celulares, fones de ouvido, mãos não lavadas) contribuem para inflamação local.
Em alguns casos, lesões semelhantes a espinhas podem corresponder a outras condições dermatológicas, como foliculite bacteriana, herpes labial (causado pelo vírus HSV-1, caracterizado por vesículas dolorosas, pruriginosas e agrupadas), ou até mesmo granulomas periorais — especialmente se houver uso prolongado de corticoides tópicos na face. Por isso, um diagnóstico clínico preciso, realizado por dermatologista, é essencial antes do início de qualquer tratamento.
O manejo depende da causa subjacente: pode incluir limpeza facial adequada com produtos não comedogênicos, uso tópico de peróxido de benzoíla ou retinoides (como o ácido retinoico), terapia hormonal em mulheres com alterações endócrinas confirmadas, ou antivirais no caso de herpes recorrente. É fundamental evitar a automedicação e a manipulação manual das lesões, pois isso aumenta o risco de infecção secundária, cicatrizes e hiperpigmentação pós-inflamatória.