O que causa espinhas na borda dos lábios?
As espinhas que surgem na região ao redor dos lábios — especialmente nas comissuras labiais, ou seja, nos cantos da boca — são uma queixa frequente em consultórios dermatológicos. Embora muitas pessoa
As espinhas que surgem na região ao redor dos lábios — especialmente nas comissuras labiais, ou seja, nos cantos da boca — são uma queixa frequente em consultórios dermatológicos. Embora muitas pessoas as associem automaticamente à acne vulgar, sua origem pode ser mais variada e requer avaliação cuidadosa para um diagnóstico preciso.
Uma das causas mais comuns é, de fato, a acne inflamatória, desencadeada por obstrução folicular, proliferação de *Cutibacterium acnes* e resposta imunológica local. Fatores como estresse, alterações hormonais (especialmente em mulheres no período pré-menstrual), uso inadequado de cosméticos comedogênicos ou até mesmo o hábito de tocar repetidamente a região com as mãos podem contribuir para o aparecimento dessas lesões.
No entanto, é fundamental diferenciar a acne de outras condições que mimetizam espinhas nessa área. A foliculite bacteriana ou fúngica — frequentemente associada ao uso prolongado de corticoides tópicos ou ao uso de aparelhos ortodônticos — pode se manifestar como pápulas ou pústulas dolorosas nos cantos da boca. Da mesma forma, a dermatite perioral, caracterizada por eritema, pequenas pápulas e descamação em anel ao redor da boca (poupando a zona imediatamente adjacente ao lábio), está frequentemente relacionada ao uso crônico de cremes contendo corticosteroides potentes ou fluorados.
Outras possibilidades incluem infecções virais, como o herpes simples tipo 1, cujas lesões iniciais podem ser confundidas com espinhas, mas evoluem rapidamente para vesículas agrupadas, dolorosas e com sensação de formigamento prévia. Também merecem atenção deficiências nutricionais — sobretudo de vitaminas do complexo B (como B2 e B6) e zinco — que podem predispor a fissuras, eritema e microabscessos nas comissuras labiais, quadro conhecido como queilose angular.
O diagnóstico diferencial adequado exige anamnese detalhada, exame físico minucioso e, em alguns casos, exames complementares — como cultura de secreção, teste de sensibilidade à luz UV ou avaliação laboratorial para déficits nutricionais. O tratamento deve ser individualizado: desde adaptações na rotina de higiene facial e suspensão de produtos irritantes até prescrição de antimicrobianos tópicos ou sistêmicos, anti-inflamatórios ou suplementos específicos, conforme a causa identificada.
Recomenda-se evitar a automedicação, especialmente o uso indiscriminado de pomadas corticoides, que pode agravar quadros como a dermatite perioral ou mascarar infecções subjacentes. Em caso de recorrência, dor intensa, disseminação rápida ou falta de resposta ao tratamento inicial, a avaliação por um dermatologista é essencial para orientação terapêutica segura e eficaz.