Como tratar a tireoidite?
A tireoidite é um grupo de doenças caracterizadas pela inflamação da glândula tireoide, podendo ter causas autoimunes (como na tireoidite de Hashimoto ou na tireoidite de Graves), infecciosas (viral ou bacteriana), medicamentosas ou pós-traumáticas. O tratamento varia conforme o tipo específico, a fase clínica (hipertireoidismo, eutireoidismo ou hipotireoidismo), a gravidade dos sintomas e a função tireoidiana avaliada por exames hormonais (TSH, T4 livre, T3 livre) e anticorpos (anti-TPO, anti-tireoglobulina, TRAb).
Na tireoidite de Hashimoto — a forma mais comum — o tratamento é indicado apenas na presença de hipotireoidismo confirmado laboratorialmente, com reposição hormonal contínua de levotiroxina sódica. A dose é ajustada individualmente com base nos níveis séricos de TSH e nos sintomas do paciente, devendo ser reavaliada periodicamente (geralmente a cada 6–12 meses após estabilização). Em fases iniciais com função tireoidiana preservada (eutiroidismo), não há indicação de terapia hormonal, mas recomenda-se acompanhamento clínico e laboratorial regular.
Na tireoidite subaguda (de Quervain), de origem viral, o quadro típico inclui dor cervical irradiada, febre leve e fase inicial de liberação hormonal (hipertireoidismo transitório), seguida por hipotireoidismo transitório e recuperação espontânea. O tratamento é sintomático: anti-inflamatórios não esteroides (AINEs) são a primeira linha; em casos refratários ou graves, pode-se utilizar corticosteroides sistêmicos (ex.: prednisona), com redução gradual sob orientação médica. Betabloqueadores podem ser usados pontualmente para controle de sintomas adrenérgicos no período hipertireoide.
Em tireoidites infecciosas agudas — raras, mas potencialmente graves — é essencial o diagnóstico rápido (com ultrassonografia, punção aspirativa e cultura, se indicado) e o tratamento antibiótico empírico imediato, podendo exigir drenagem cirúrgica em caso de abscesso. Já nas tireoidites induzidas por medicamentos (ex.: interferon, litio, imunoterápicos como anti-PD-1), a conduta envolve suspensão ou ajuste do agente causal, além de monitorização rigorosa da função tireoidiana.
É fundamental que todo paciente com tireoidite seja avaliado por endocrinologista, pois o diagnóstico diferencial é amplo e as implicações clínicas variam significativamente. Exames complementares — como ultrassonografia tireoidiana, cintilografia (quando necessário) e testes sorológicos — são fundamentais para definir o subtipo e orientar a conduta terapêutica adequada e personalizada.