Tratamento de infecção fúngica do couro cabeludo
O tratamento das infecções fúngicas do couro cabeludo — conhecidas clinicamente como tinea capitis — exige abordagem sistemática e rigorosa, pois se trata de uma micose superficial que acomete os folículos pilosos e a queratina do couro cabeludo, frequentemente em crianças, mas também em adultos imunocomprometidos ou com exposição contínua a ambientes úmidos e compartilhados.
A terapia deve ser sempre sistêmica, uma vez que os antifúngicos tópicos isolados são ineficazes devido à profundidade da invasão fúngica nos folículos e na haste capilar. Os medicamentos de primeira linha incluem griseofulvina (em formulação microdimensionada), itraconazol, terbinafina e fluconazol. A escolha do agente depende da idade do paciente, do agente etiológico suspeito (por exemplo, *Trichophyton tonsurans*, *Microsporum canis*), da gravidade clínica (presença de querion ou formas inflamatórias) e de possíveis interações medicamentosas ou comorbidades hepáticas.
O tempo de tratamento varia entre 4 e 12 semanas, sendo fundamental a adesão completa ao esquema prescrito, mesmo após a melhora clínica aparente, para evitar recidivas e resistência fúngica. Durante o tratamento, recomenda-se higiene rigorosa: uso de shampoo antifúngico à base de cetoconazol ou selênio sulfeto duas vezes por semana, troca diária de toucas, lençóis e escovas de cabelo, além da desinfecção de objetos de uso pessoal com álcool 70% ou solução de hipoclorito de sódio diluída.
Em casos graves — como querion, com edema intenso, fistulização ou linfadenopatia regional — pode ser necessário o uso concomitante de corticosteroides sistêmicos por curto prazo para controlar a resposta inflamatória exacerbada. A avaliação dermatológica periódica é essencial para monitorar a resposta terapêutica, realizar exames complementares (como exame micológico direto, cultura fúngica ou dermatoscopia tricoscópica) e ajustar o tratamento conforme necessário.
É importante ressaltar que a transmissão ocorre facilmente por contato direto com indivíduos infectados ou indiretamente por meio de pentes, chapéus, toalhas ou superfícies contaminadas; portanto, medidas de prevenção coletiva — sobretudo em escolas, creches e academias — são fundamentais para o controle da disseminação.