Como fazer para que o homem tenha maior duração durante a relação sexual?
Para melhorar a duração da relação sexual masculina — ou seja, para aumentar o tempo até a ejaculação — é fundamental compreender que a ejaculação precoce (EP) é um distúrbio comum, com prevalência estimada entre 20% e 30% dos homens adultos, e que pode ter causas multifatoriais: psicológicas (como ansiedade de desempenho, estresse, depressão ou experiências sexuais negativas anteriores), fisiológicas (hipersensibilidade do glande, alterações nos níveis de serotonina, disfunção erétil associada, hipertireoidismo ou síndrome das pernas inquietas) ou comportamentais (como masturbação rápida repetida na adolescência).
Não existe uma “fórmula mágica” universal, mas há estratégias com evidência científica robusta. Em primeiro lugar, recomenda-se avaliação médica especializada (urologista ou andrologista), pois o diagnóstico diferencial é essencial: muitas vezes, o que parece ejaculação precoce é, na verdade, uma resposta normal à excitação intensa ou ao retorno à atividade sexual após período de abstinência. Caso confirmado o diagnóstico de EP persistente (definido como ejaculação ocorrendo em menos de 1 minuto após a penetração, de forma recorrente e com impacto significativo na qualidade de vida ou no relacionamento, por pelo menos 6 meses), as opções terapêuticas incluem:
— Terapia cognitivo-comportamental (TCC): comprovadamente eficaz, especialmente quando realizada com acompanhamento de sexólogo ou psicólogo especializado. Aborda crenças disfuncionais, reduz a ansiedade e ensina técnicas como a manobra de “apertar e pausar” (squeeze technique) ou a técnica de “começar-parar”, que ajudam a modular a resposta ejaculatória.
— Tratamento farmacológico: a dapoxetina (inibidor seletivo de recaptação da serotonina de ação rápida, aprovada especificamente para EP) é a única medicação com registro regulatório para esse fim em diversos países, inclusive no Brasil. Pode ser usada sob orientação médica, com atenção às contraindicações (ex.: uso concomitante de antidepressivos SSRIs, transtornos cardíacos importantes ou histórico de distúrbios do ritmo). Em alguns casos, são utilizados também anestésicos tópicos (como cremes à base de lidocaína ou prilocaína), mas exigem aplicação cuidadosa para evitar diminuição da sensibilidade tanto no homem quanto na parceira.
— Abordagem integrada: exercícios do assoalho pélvico (como os de Kegel), melhoria da comunicação com o parceiro, redução do consumo de álcool e tabaco, prática regular de atividade física e sono de qualidade contribuem significativamente para o controle ejaculatório. Importante ressaltar que a expectativa cultural de “longa duração” não reflete necessariamente uma realidade fisiológica saudável — o tempo médio de ejaculação após penetração, em estudos objetivos com cronometragem, varia entre 5 e 7 minutos, e relações satisfatórias dependem muito mais da conexão afetiva, da variedade de estímulos e da satisfação mútua do que exclusivamente do tempo de penetração.
Qualquer tentativa de automedicação, uso de suplementos não regulamentados ou métodos caseiros sem embasamento científico deve ser evitada, pois pode trazer riscos à saúde sexual e geral. O passo mais seguro e eficaz é procurar orientação profissional qualificada, com abordagem personalizada e centrada na pessoa.