A segurança das injeções clareadoras é questionável?
A segurança dos chamados "clareadores intravenosos" (ou "injeções clareadoras") é altamente questionável e não é reconhecida como procedimento seguro ou eficaz pela comunidade médica internacional. Esses protocolos, frequentemente comercializados em clínicas estéticas não regulamentadas, geralmente contêm combinações não padronizadas de substâncias como glutationa, vitamina C, ácido tióctico e, em alguns casos, corticosteroides ou até medicamentos não aprovados para uso dermatológico sistêmico.
Não há evidências científicas robustas que comprovem sua eficácia no clareamento cutâneo generalizado, e diversos estudos e relatos de caso documentaram riscos graves, incluindo toxicidade hepática e renal, reações alérgicas sistêmicas, distúrbios do metabolismo do cobre, melanose exógena, alterações na pigmentação cutânea paradoxal (como hiperpigmentação ou despigmentação irregular) e até falência multiorgânica em situações extremas.
Além disso, esses tratamentos não são aprovados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para indicação clareadora, nem por agências regulatórias equivalentes, como a FDA (EUA) ou a EMA (União Europeia). A Sociedade Brasileira de Dermatologia orienta firmemente contra seu uso, recomendando, em vez disso, abordagens baseadas em evidências — como fotoproteção rigorosa, uso tópico de agentes despigmentantes comprovados (ex.: hidroquinona, ácido kójico, niacinamida, retinoides) e procedimentos dermatológicos supervisionados (ex.: peelings químicos controlados, laser Q-switched ou picosegundo), sempre sob avaliação individualizada por dermatologista qualificado.