Estalos nos ossos ao caminhar: quais são as causas?
É comum ouvir estalos nas articulações ao caminhar — um som seco, semelhante a “clique” ou “estalo”, que pode ocorrer nos joelhos, quadris ou tornozelos. Embora muitas pessoas associem esses ruídos à
É comum ouvir estalos nas articulações ao caminhar — um som seco, semelhante a “clique” ou “estalo”, que pode ocorrer nos joelhos, quadris ou tornozelos. Embora muitas pessoas associem esses ruídos à presença de arrependimento ou desgaste articular, na maioria dos casos eles são fisiológicos e inócuos.
O fenômeno é conhecido como crepitação articular e tem origens variadas. A causa mais frequente é a liberação de bolhas de gás (principalmente dióxido de carbono) dissolvidas no líquido sinovial — processo chamado cavitação. Quando há mudança súbita na pressão intra-articular, como durante a extensão ou rotação da articulação, essas bolhas se formam e colapsam rapidamente, gerando o som característico. Esse mecanismo é idêntico ao observado ao “estalar os dedos” e não está associado a danos teciduais.
Outras causas possíveis incluem o atrito entre tendões ou ligamentos que passam sobre saliências ósseas, especialmente quando há leve alteração na biomecânica do movimento — por exemplo, após fadiga muscular, desequilíbrio postural ou uso prolongado de calçados inadequados. Em alguns casos, o estalo pode estar relacionado à irregularidade da superfície cartilaginosa, como em estágios iniciais de osteoartrose, mas nesses cenários costuma haver dor associada, rigidez matinal ou limitação funcional — sinais que exigem avaliação ortopédica.
É fundamental diferenciar estalos isolados, assintomáticos e intermitentes — que raramente indicam patologia — de ruídos acompanhados de dor, inchaço, instabilidade ou perda de amplitude de movimento. Nesta última situação, recomenda-se investigação complementar, como exames de imagem (radiografia ou ressonância magnética) e avaliação clínica especializada.
Não há evidência científica de que estalar articulações repetidamente cause artrite ou acelere o desgaste cartilaginoso. Contudo, se o hábito for associado a desconforto ou sensação de “frouxidão” articular, deve ser reavaliado sob orientação médica, pois pode refletir alterações ligamentares ou musculoesqueléticas subclínicas.