O que observar após a cirurgia de próstata
Após uma cirurgia prostática — seja uma prostatectomia radical para câncer de próstata, uma ressecção transuretral da próstata (RTUP) para hipertrofia prostática benigna ou outro procedimento urológic
Após uma cirurgia prostática — seja uma prostatectomia radical para câncer de próstata, uma ressecção transuretral da próstata (RTUP) para hipertrofia prostática benigna ou outro procedimento urológico envolvendo a glândula — o período pós-operatório exige atenção especial para garantir uma recuperação segura e eficaz. A próstata desempenha funções importantes na produção do sêmen e no controle urinário, e sua remoção ou manipulação cirúrgica pode impactar significativamente a função urinária, sexual e reprodutiva.
É fundamental evitar esforços físicos intensos nas primeiras quatro a seis semanas após a cirurgia: levantamento de cargas superiores a 5 kg, atividades que aumentem a pressão intra-abdominal — como constipação, tosse persistente ou esforço para urinar — devem ser rigorosamente controlados. A constipação, em particular, representa um risco relevante, pois pode causar sangramento no leito cirúrgico ou comprometer a cicatrização; recomenda-se ingestão adequada de fibras, hidratação abundante e, se necessário, uso de laxantes suaves sob orientação médica.
O sangramento urinário leve é comum nos primeiros dias após a RTUP, mas sangramento intenso, coágulos volumosos ou obstrução urinária exigem avaliação imediata. Após prostatectomia radical, a drenagem urinária ocorre inicialmente por sonda vesical de demora, cuja retirada deve ser feita apenas conforme critérios clínicos definidos — geralmente entre o 5º e o 7º dia pós-operatório — e sempre com acompanhamento urológico.
A incontinência urinária de esforço é uma complicação frequente, especialmente após prostatectomia radical, mas a maioria dos pacientes apresenta melhora progressiva ao longo de três a seis meses. Exercícios do assoalho pélvico (como os de Kegel), iniciados precocemente sob orientação fisioterápica especializada, são fundamentais para acelerar a recuperação do controle urinário.
Quanto à função sexual, a disfunção erétil é comum após intervenções que afetam os nervos cavernosos próximos à próstata. Embora a preservação nervosa seja priorizada em cirurgias oncológicas, a recuperação da ereção pode levar meses ou anos, variando conforme idade, condições vasculares prévias e extensão cirúrgica. Terapias de reabilitação erétil — incluindo fármacos orais, dispositivos de vácuo ou injeções intracavernosas — podem ser indicadas precocemente para manter a saúde tecidual e favorecer a recuperação funcional.
O acompanhamento pós-operatório deve ser estruturado e contínuo: exames de PSA (antígeno prostático específico) são essenciais após prostatectomia radical para detecção precoce de recorrência; avaliações urodinâmicas ou ecografias vesicais podem ser solicitadas caso persistam sintomas urinários. Qualquer alteração nova — como dor lombar persistente, febre, dificuldade progressiva para urinar ou perda de peso inexplicada — deve ser comunicada imediatamente ao urologista.