O que fazer quando há um grande buraco no dente e a dor é frequente?
Um grande defeito cavitário no dente, acompanhado de dor frequente, é um sinal clínico inequívoco de cárie avançada — geralmente com envolvimento da dentina e, em muitos casos, já com comprometimento
Um grande defeito cavitário no dente, acompanhado de dor frequente, é um sinal clínico inequívoco de cárie avançada — geralmente com envolvimento da dentina e, em muitos casos, já com comprometimento da polpa dentária. Essa condição não deve ser ignorada, pois a progressão pode levar à pulpites irreversível, abscesso periapical, infecção sistêmica ou até perda do dente.
A dor recorrente indica que o tecido pulpar está inflamado ou infectado. Quando a cárie atinge a dentina, o dente torna-se hipersensível a estímulos térmicos (frio ou calor), químicos (açúcares) e mecânicos (mastigação). Se a dor persistir espontaneamente, piorar à noite ou irradiar para a região temporal ou auricular, há forte suspeita de envolvimento pulpar profundo ou necrose pulpar.
O tratamento depende do grau de comprometimento: em estágios iniciais, com cárie limitada à dentina sem sinais de envolvimento pulpar, uma restauração direta com resina composta ou amálgama pode ser suficiente. Contudo, quando há evidência clínica ou radiográfica de envolvimento pulpar — como dor espontânea, prolongada ou resposta positiva ao teste de vitalidade pulpar — é indicado o tratamento endodôntico (desvitalização), seguido de restauração definitiva e, frequentemente, proteção com coroa protética, especialmente em dentes posteriores sujeitos a altas cargas funcionais.
É fundamental procurar um cirurgião-dentista imediatamente. Atrasos no diagnóstico e na intervenção aumentam significativamente o risco de complicações, incluindo disseminação da infecção para tecidos adjacentes, osteomielite maxilofacial ou, em casos extremos, sepse. O exame clínico detalhado, associado a radiografias periapicais ou tomografia computadorizada de feixe cônico (TCFC), permite avaliar com precisão a extensão da lesão e orientar a conduta terapêutica adequada.
Prevenir novas lesões exige revisão rigorosa dos hábitos de higiene bucal, redução da ingestão de carboidratos fermentáveis, uso diário de fio dental e escovação com creme dental fluoretado. Pacientes com alta suscetibilidade à cárie devem ser acompanhados com maior frequência e podem beneficiar-se de selantes oclusais, aplicações tópicas de flúor ou terapia antimicrobiana local sob orientação profissional.