O que fazer quando adolescentes do ensino fundamental têm dificuldade de concentração?
É comum que crianças e adolescentes em fase escolar apresentem dificuldades ocasionais de concentração — seja por cansaço, estresse emocional, sobrecarga de tarefas ou até mesmo pela natural imaturida
É comum que crianças e adolescentes em fase escolar apresentem dificuldades ocasionais de concentração — seja por cansaço, estresse emocional, sobrecarga de tarefas ou até mesmo pela natural imaturidade do córtex pré-frontal, região cerebral ainda em desenvolvimento. No entanto, quando a desatenção se torna frequente, persistente e interfere significativamente no desempenho acadêmico, nas relações sociais ou na realização de atividades cotidianas, é fundamental investigar suas causas com rigor clínico.
Não se deve rotular precipitadamente um aluno do ensino fundamental como “desatento” ou “indisciplinado”. Muitos fatores podem contribuir para esse quadro: distúrbios do sono não diagnosticados, déficit de ferro ou vitamina D, ansiedade generalizada, depressão infantil, dificuldades de aprendizagem específicas (como dislexia ou discalculia) ou transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH), cujo diagnóstico requer avaliação multidimensional por equipe especializada — incluindo pediatra, neuropediatra, psiquiatra infantil e psicólogo.
A abordagem terapêutica deve ser sempre personalizada e integrada. Em casos confirmados de TDAH, intervenções baseadas em evidências incluem estratégias comportamentais (como treinamento parental e modificações ambientais na sala de aula), acompanhamento psicopedagógico contínuo e, quando indicado clinicamente, tratamento farmacológico com metilfenidato ou lisdexanfetamina — sempre sob supervisão médica rigorosa e com reavaliações periódicas. Importante ressaltar que medicamentos não são uma solução isolada, mas parte de um plano mais amplo que valoriza o desenvolvimento socioemocional e cognitivo da criança.
Além disso, há medidas não farmacológicas com sólido respaldo científico: rotinas previsíveis, pausas ativas entre períodos de estudo, exposição diária à luz natural, prática regular de exercícios físicos moderados e redução significativa do tempo de tela fora do contexto educacional. A qualidade do sono também merece atenção especial — dormir menos de 9 horas por noite em crianças de 6 a 12 anos está associada a prejuízos objetivos na função executiva e na memória de trabalho.
Professores e familiares desempenham papel essencial como observadores atentos e parceiros no processo diagnóstico e terapêutico. Relatar com precisão os padrões de comportamento — em diferentes ambientes, horários e situações — fornece dados cruciais para o profissional de saúde. A escuta empática, sem julgamentos, e o apoio consistente são fundamentais para fortalecer a autoestima e a motivação intrínseca da criança, promovendo não apenas melhor foco, mas também maior resiliência ao longo do desenvolvimento.