O que fazer quando surge um inchaço na gengiva?
Um “caroço” ou “inchaço” na gengiva é um achado clínico relativamente comum, mas que exige avaliação odontológica cuidadosa. Esse aumento de volume pode ter diversas causas — desde processos inflamató
Um “caroço” ou “inchaço” na gengiva é um achado clínico relativamente comum, mas que exige avaliação odontológica cuidadosa. Esse aumento de volume pode ter diversas causas — desde processos inflamatórios benignos até lesões potencialmente graves — e nunca deve ser ignorado ou tratado empiricamente sem diagnóstico preciso.
Entre as causas mais frequentes estão o abscesso periodontal, resultante de infecção bacteriana em bolsas periodontais profundas; o abscesso periapical, originado de uma infecção na polpa dentária que se estende ao osso alveolar; e a gengivite aguda ulcerativa necrosante (GAUN), especialmente em pacientes com imunossupressão ou má higiene oral. Também são comuns as granulomas perirradiculares, como o granuloma apical crônico, muitas vezes assintomático, mas visível radiograficamente como uma lesão radiolúcida na ponta da raiz.
Outras possibilidades incluem hiperplasia gengival medicamentosa — associada ao uso de nifedipina, fenitoína ou ciclosporina —, tumores benignos como o fibroma gengival ou o epulis gravídico (em gestantes), e, embora raro, neoplasias malignas, como o carcinoma espinocelular gengival. Fatores predisponentes importantes incluem má higiene bucal, tártaro subgengival, restaurações mal adaptadas, próteses inadequadas e tabagismo.
O diagnóstico baseia-se na anamnese detalhada, exame clínico minucioso — avaliando consistência, mobilidade, sangramento à sondagem, presença de fístula — e exames complementares, como radiografias periapicais ou tomografia computadorizada de feixe cônico (TCFC), além de biópsia tecidual sempre que houver suspeita de lesão proliferativa ou atípica.
O tratamento é inteiramente direcionado à causa subjacente: drenagem cirúrgica e antibioticoterapia para abscessos agudos; tratamento endodôntico ou extração dentária em casos de origem periapical; raspagem e alisamento radicular no periodontal; descontinuação ou substituição do medicamento causador na hiperplasia medicamentosa; e ressecção cirúrgica com análise histopatológica nas lesões proliferativas. A prevenção envolve higiene oral rigorosa, consultas odontológicas regulares e controle de fatores sistêmicos associados.