Callosidades dolorosas: o que fazer quando doem muito
Calosidades plantares — conhecidas popularmente como “olhos de peixe” — são lesões cutâneas hiperqueratóticas, geralmente circulares e bem delimitadas, que se desenvolvem em áreas de pressão ou fricçã
Calosidades plantares — conhecidas popularmente como “olhos de peixe” — são lesões cutâneas hiperqueratóticas, geralmente circulares e bem delimitadas, que se desenvolvem em áreas de pressão ou fricção contínua nos pés, especialmente sob os metatarso ou na região plantar dos dedos. Ao contrário dos calos comuns, as calosidades apresentam um núcleo central endurecido, muitas vezes penetrante, que pode comprimir estruturas nervosas profundas, gerando dor intensa ao caminhar ou exercer pressão local.
O tratamento deve ser individualizado e priorizar a remoção segura do tecido hiperqueratótico, sem lesar o tecido saudável subjacente. A abordagem inicial inclui o uso de queratolíticos tópicos à base de ácido salicílico (10–40%), aplicados sob proteção com esparadrapo ou placas de silicone para direcionar a ação ao núcleo da lesão. É fundamental evitar automedicação com substâncias corrosivas ou tentativas caseiras de remoção mecânica, pois podem causar feridas profundas, infecções ou cicatrizes dolorosas.
Em casos refratários ou quando há suspeita de diagnóstico diferencial — como verrugas plantares (causadas pelo HPV) ou queratoses plantares — é indispensável avaliação por podólogo ou dermatologista. Procedimentos especializados, como curetagem controlada sob anestesia local, crioterapia ou, raramente, cirurgia excisional, podem ser indicados. Além disso, medidas preventivas são essenciais: uso de calçados adequados, palmilhas ortopédicas personalizadas e correção de alterações biomecânicas do pé (ex.: sobrecarga metatarsal ou deformidades digitais).
A dor persistente ou recorrente não deve ser ignorada: pode sinalizar complicações como infecção secundária, ulceração ou comprometimento neurológico — especialmente em pacientes com diabetes mellitus ou neuropatia periférica. Nestes casos, o acompanhamento multidisciplinar (com endocrinologista, angiologista e podólogo) é fundamental para prevenir sequelas graves, como amputação.