O que fazer quando há um buraco no dente?
Quando você percebe um pequeno orifício ou cavidade no dente, trata-se de uma cárie em estágio inicial — uma lesão progressiva causada pela desmineralização do esmalte e da dentina, resultado da ação
Quando você percebe um pequeno orifício ou cavidade no dente, trata-se de uma cárie em estágio inicial — uma lesão progressiva causada pela desmineralização do esmalte e da dentina, resultado da ação ácida de bactérias que metabolizam açúcares da dieta. Ignorar esse sinal pode levar à propagação da infecção para estruturas mais profundas, como a polpa dentária, desencadeando dor intensa, abscesso periapical ou até perda dentária.
O diagnóstico deve ser feito por um cirurgião-dentista, preferencialmente com auxílio de exames complementares, como radiografias periapicais ou bitewing, que permitem avaliar a extensão real da lesão — muitas vezes maior do que o visível à inspeção clínica. Em fases iniciais, quando a cárie ainda não atingiu a dentina, pode ser possível interromper o processo com medidas preventivas rigorosas: controle estrito da ingestão de carboidratos fermentáveis, escovação duas vezes ao dia com creme dental fluoretado (com concentração mínima de 1.100 ppm de flúor), uso diário de fio dental e aplicação tópica profissional de fluoreto ou selantes em áreas de risco.
Contudo, se já houver comprometimento da dentina, o tratamento restaurador torna-se indispensável. A abordagem envolve a remoção seletiva do tecido cariado, preservando ao máximo a estrutura saudável, seguida da reconstrução com materiais biocompatíveis — como resinas compostas estéticas ou, em molares com alta carga funcional, amálgama ou cerâmica indireta. Em casos avançados, com envolvimento pulpar irreversível, será necessária uma terapia endodôntica (tratamento de canal), seguida de restauração definitiva, muitas vezes com prótese fixa.
A prevenção contínua é essencial: consultas odontológicas semestrais permitem detecção precoce, limpeza profissional e reavaliação do risco individual. Pacientes com alta suscetibilidade — como portadores de xerostomia, histórico de cáries recorrentes ou uso de aparelhos ortodônticos — devem receber orientação personalizada, incluindo testes de saliva, monitoramento microbiológico e estratégias de remineralização supervisionadas.