Qual é o processo do tratamento de canal em casos de pulpites?
A polpa dentária é um tecido mole localizado no interior do dente, composto por nervos, vasos sanguíneos e células responsáveis pela formação dentinária. Quando essa estrutura sofre inflamação — condi
A polpa dentária é um tecido mole localizado no interior do dente, composto por nervos, vasos sanguíneos e células responsáveis pela formação dentinária. Quando essa estrutura sofre inflamação — condição conhecida como pulpites — geralmente em decorrência de cáries profundas, fraturas dentárias, restaurações inadequadas ou trauma contínuo, o paciente pode apresentar dor espontânea, sensibilidade intensa ao calor ou frio, desconforto à mastigação e, em casos avançados, abscesso periapical.
O tratamento padrão para pulpites irreversíveis é a terapia endodôntica, popularmente chamada de “tratamento de canal”. Esse procedimento tem como objetivo remover o tecido pulpar inflamado ou necrosado, desinfetar e modelar os canais radiculares e, por fim, obturá-los de forma hermética com materiais biocompatíveis — geralmente gutapercha associada a cimentos seladores.
O processo começa com diagnóstico preciso, que inclui exame clínico detalhado, testes de vitalidade pulpar (como teste térmico e elétrico) e radiografias periapicais ou tomografia computadorizada de feixe cônico (TCFC), para avaliar a anatomia radicular e detectar possíveis complicações. Em seguida, realiza-se anestesia local eficaz, isolamento absoluto do dente com dique de borracha e acesso cavitar controlado para exposição da câmara pulpar.
Após a remoção da polpa, os canais são instrumentados mecanicamente — com limas endodônticas manuais ou rotatórias — e irrigados com soluções antissépticas, como hipoclorito de sódio a 2,5–5,25% e EDTA a 17%, para eliminar bactérias, detritos orgânicos e biofilme. Em alguns casos, especialmente quando há sinais de infecção persistente ou exsudação, pode ser indicada uma medicação intracanal intercalar, como hidróxido de cálcio ou antibióticos tópicos.
A obturação definitiva ocorre após confirmação clínica e radiográfica de ausência de sinais inflamatórios ou infecciosos. O preenchimento dos canais deve ser tridimensional, alcançando o forame apical sem extrapolação excessiva. Por fim, é essencial a restauração coronária adequada — muitas vezes com núcleo de pino e coroa protética — para garantir a integridade funcional e estrutural do dente tratado.
Embora altamente previsível, o sucesso da terapia endodôntica depende de fatores como diagnóstico acurado, técnica asséptica rigorosa, conhecimento da anatomia radicular variável e acompanhamento pós-operatório. Complicações raras, como falha no selamento, fratura radicular ou recorrência infecciosa, exigem re-tratamento ou, em situações específicas, cirurgia periapical.