O que significa ter secreção aquosa no mamilo?
Secreções papilares aquosas — ou seja, líquidas, transparentes ou levemente esbranquiçadas, sem sangue — são um achado relativamente comum em mulheres em idade fértil, mas também podem ocorrer em home
Secreções papilares aquosas — ou seja, líquidas, transparentes ou levemente esbranquiçadas, sem sangue — são um achado relativamente comum em mulheres em idade fértil, mas também podem ocorrer em homens e em mulheres pós-menopausa. Embora frequentemente benignas, essas secreções merecem avaliação clínica criteriosa, pois podem sinalizar alterações hormonais, medicamentosas, anatômicas ou, raramente, neoplásicas.
O mecanismo mais frequente envolve uma leve hiperprolactinemia funcional: níveis elevados de prolactina no sangue, muitas vezes induzidos por estresse físico ou emocional, estimulação mecânica do mamilo (como atrito de roupas ou exames clínicos), distúrbios do sono ou até mesmo exercícios intensos. Nesses casos, a secreção é geralmente bilateral, espontânea ou expressável, e não associada a outras alterações mamárias.
Medicamentos constituem outra causa importante. Antidepressivos tricíclicos, inibidores seletivos da recaptação da serotonina (ISRS), antipsicóticos (como risperidona e haloperidol), anti-hipertensivos (ex.: metildopa) e até alguns antieméticos podem elevar os níveis séricos de prolactina, desencadeando secreção papilar. É fundamental revisar a terapêutica em curso durante a investigação.
Alterações anatômicas, como ductectasia (dilatação dos ductos galactóforos) ou papiloma intraductal — tumor benigno que cresce dentro do ducto mamário — também podem causar secreção unifocal, unilateral e, ocasionalmente, serossanguinolenta. Embora o papiloma seja benigno, sua identificação é relevante, pois pode estar associado a um risco ligeiramente aumentado de câncer de mama, especialmente se houver atipia celular associada.
A avaliação diagnóstica deve incluir anamnese detalhada (características da secreção, uso de medicamentos, histórico menstrual e reprodutivo), exame físico minucioso das mamas e axilas, além de dosagem sérica de prolactina. Em casos suspeitos — particularmente quando a secreção for unilateral, espontânea, persistente ou associada a massa palpável — recomenda-se mamografia e ultrassonografia mamária. A galactografia (ductograma) ou ressonância magnética mamária podem ser úteis para caracterizar lesões ductais, e a citologia da secreção tem valor limitado, sendo reservada para casos específicos.
É crucial destacar que secreções papilares aquosas isoladas, bilaterais e intermitentes, sem sinais associados, raramente indicam malignidade. Contudo, qualquer secreção espontânea, unilateral ou acompanhada de alterações na pele, retração do mamilo ou nódulo palpável exige investigação imediata. O acompanhamento deve ser individualizado, com orientação clara sobre sinais de alerta e necessidade de retorno ao serviço de saúde.