Quais são as causas do aparecimento de olheiras?
A formação das bolsas periorbitárias — popularmente conhecidas como “olheiras” ou “sacos sob os olhos” — resulta de uma combinação de fatores anatômicos, fisiológicos e ambientais. Anatomicamente, a r
A formação das bolsas periorbitárias — popularmente conhecidas como “olheiras” ou “sacos sob os olhos” — resulta de uma combinação de fatores anatômicos, fisiológicos e ambientais. Anatomicamente, a região infraorbitária é caracterizada por uma fina camada de pele, escassa gordura subcutânea e um ligamento orbital que separa o compartimento pré-septal do pós-septal. Com o envelhecimento, ocorre atrofia da gordura orbitária, laxidade dos tecidos de sustentação e deslocamento caudal da gordura retroseptal, levando à protrusão desses depósitos adiposos para a região subconjuntival. Esse fenômeno, associado à perda de elasticidade dérmica e ao afinamento cutâneo, intensifica a aparência de saliências inferiores.
Fatores genéticos também desempenham papel determinante: indivíduos com predisposição hereditária podem apresentar proeminência congênita da gordura infraorbitária ou pigmentação cutânea aumentada devido à maior deposição de melanina na região periocular. Além disso, condições clínicas como rinite alérgica crônica, sinusite, insuficiência venosa facial e distúrbios do sono contribuem para o edema local e a estase microvascular, agravando a aparência das bolsas. O tabagismo, a exposição crônica à radiação ultravioleta e o estresse oxidativo aceleram a degradação do colágeno e da elastina, potencializando o quadro.
É fundamental diferenciar as bolsas verdadeiras — causadas por alterações estruturais permanentes — de edemas transitórios decorrentes de retenção hídrica, fadiga ou ingestão excessiva de sódio. Avaliação clínica detalhada, incluindo exame físico com inspeção em diferentes posições (sentado e deitado) e, quando necessário, imagem por ressonância magnética, permite definir a etiologia predominante e orientar o manejo terapêutico adequado — que pode variar desde medidas conservadoras até procedimentos cirúrgicos como blefaroplastia transconjuntival ou abordagens minimamente invasivas com preenchimento dérmico estratégico.