Causas e tratamentos para oligozoospermia e astenozoospermia
A oligozoospermia (contagem reduzida de espermatozoides) e a astenozoospermia (redução da motilidade espermática) são duas alterações frequentemente identificadas em avaliações de infertilidade mascul
A oligozoospermia (contagem reduzida de espermatozoides) e a astenozoospermia (redução da motilidade espermática) são duas alterações frequentemente identificadas em avaliações de infertilidade masculina. Essas condições podem ocorrer isoladamente ou em conjunto — situação denominada oligoastenozoospermia — e representam causas importantes de dificuldade para concepção natural.
As causas são multifatoriais e incluem fatores pré-testiculares, testiculares e pós-testiculares. Entre os fatores pré-testiculares destacam-se distúrbios endócrinos, como hipogonadismo hipogonadotrófico, síndrome de Kallmann, hiperprolactinemia e disfunções da tireoide; também contribuem exposições ambientais (como pesticidas, metais pesados e compostos disruptores endócrinos), uso crônico de álcool, tabagismo, obesidade e estresse oxidativo sistêmico. Fatores testiculares envolvem varicocele (a causa reversível mais comum), infecções genitais prévias (como orquite por caxumba), criptorquidia não corrigida, síndrome de Klinefelter e exposição à radiação ou quimioterapia. Já os fatores pós-testiculares incluem obstruções do trato genital (por exemplo, após vasectomia ou infecções), ejaculação retrógrada e defeitos estruturais dos espermatozoides.
O diagnóstico baseia-se na análise semanal de pelo menos duas amostras de sêmen, conforme critérios da Organização Mundial da Saúde (OMS, 6ª edição), que define oligozoospermia como concentração espermática inferior a 16 milhões/mL e astenozoospermia como motilidade progressiva abaixo de 32%. Exames complementares essenciais incluem avaliação hormonal (FSH, LH, testosterona total e prolactina), ultrassonografia escrotal com Doppler para detecção de varicocele e, quando indicado, cariótipo ou análise de microdeleções no cromossomo Y.
O tratamento é personalizado conforme a etiologia identificada. Em casos de varicocele clinicamente significativa, a correção cirúrgica (varicocelectomia) pode melhorar parâmetros espermáticos em até 60–70% dos pacientes. Distúrbios hormonais respondem à terapia específica — por exemplo, agonistas de GnRH em deficiências congênitas ou dopaminérgicos em hiperprolactinemia. Modificações no estilo de vida, como perda de peso, cessação tabágica, redução do consumo de álcool e suplementação com antioxidantes (vitamina C, E, zinco, selênio e coenzima Q10), têm evidência moderada de benefício na qualidade espermática. Quando as opções clínicas não são suficientes ou há falha terapêutica, as técnicas de reprodução assistida — especialmente a fertilização in vitro com injeção intracitoplasmática de espermatozoides (FIV-ICSI) — oferecem taxas de sucesso robustas, mesmo em casos graves de oligoastenozoospermia.