Quais são as causas da tendinopatia insercional?
A tendinopatia insercional, também conhecida como entesopatia, é uma condição caracterizada por degeneração tecidual e microlesões no local onde o tendão se insere no osso — a chamada entese. Ao contr
A tendinopatia insercional, também conhecida como entesopatia, é uma condição caracterizada por degeneração tecidual e microlesões no local onde o tendão se insere no osso — a chamada entese. Ao contrário da tendinite clássica, que implica inflamação aguda, a tendinopatia insercional é predominantemente uma lesão degenerativa crônica, frequentemente associada a alterações estruturais no colágeno, neovascularização anômala e acúmulo de células inflamatórias de baixo grau.
As causas principais incluem sobrecarga mecânica repetitiva, especialmente em atletas ou indivíduos com atividades profissionais que exigem movimentos recorrentes sob carga — como corrida, saltos ou levantamento de peso. Fatores de risco adicionais abrangem alterações biomecânicas (ex.: hiperpronação do pé, desequilíbrio muscular ou má técnica esportiva), idade avançada (com redução natural da vascularização e capacidade regenerativa dos tendões), doenças sistêmicas como artrite psoriásica, espondiloartrites axiais e diabetes mellitus, além do uso prolongado de fluoroquinolonas, classe de antibióticos associada à maior incidência de ruptura tendínea.
Importante destacar que, embora a inflamação possa estar presente em fases iniciais, a patogênese central envolve falha na remodelação tecidual, com acúmulo de matriz extracelular anormal e disfunção dos tenócitos. Isso explica por que tratamentos anti-inflamatórios isolados muitas vezes apresentam eficácia limitada, reforçando a necessidade de abordagens baseadas em carga progressiva controlada, reabilitação funcional e, quando indicado, intervenções especializadas como terapia por ondas de choque ou infiltrações guiadas por ultrassonografia.