Quais são os tratamentos disponíveis para fraturas do esterno?
A fratura do esterno é uma lesão relativamente rara, mas potencialmente grave, frequentemente associada a traumas de alta energia, como colisões automobilísticas ou quedas de grande altura. O diagnóst
A fratura do esterno é uma lesão relativamente rara, mas potencialmente grave, frequentemente associada a traumas de alta energia, como colisões automobilísticas ou quedas de grande altura. O diagnóstico é feito com base na história clínica, exame físico — especialmente dor intensa à palpação da linha média torácica — e confirmação por imagem, geralmente por radiografia simples em incidência póstero-anterior e perfil, embora a tomografia computadorizada (TC) seja mais sensível para identificar deslocamentos sutis ou fraturas não visíveis nas radiografias convencionais.
O tratamento varia conforme a gravidade e o padrão da fratura. A maioria dos casos — particularmente fraturas não deslocadas ou com desvio mínimo — é gerenciada de forma conservadora. Isso inclui repouso relativo, controle rigoroso da dor com analgésicos não opioides (como paracetamol ou anti-inflamatórios não esteroides, quando não contraindicados), uso de coletes torácicos apenas em situações específicas (com indicação cautelosa, pois podem limitar a ventilação pulmonar) e orientação para evitar manobras que aumentem a pressão intratorácica, como tosse forçada ou esforço físico intenso.
Em contraste, fraturas deslocadas, instáveis ou associadas a complicações — como lesões concomitantes do miocárdio, grandes vasos, traqueia ou esôfago — exigem avaliação cirúrgica imediata. A osteossíntese aberta com placas e parafusos de titânio é o padrão-ouro nos casos indicados, permitindo estabilização anatômica, redução da dor crônica, prevenção de deformidades torácicas secundárias e recuperação funcional mais rápida. Estudos recentes demonstram que a cirurgia precoce (dentro das primeiras 72 horas) está associada a menor tempo de internação, menor risco de infecção e melhor preservação da mecânica respiratória.
É fundamental ressaltar que o manejo deve ser multidisciplinar: envolvendo traumatologia, cirurgia torácica, pneumologia e reabilitação. Complicações tardias, como dor persistente, síndrome pós-fratura esternal ou alterações na biomecânica torácica, ocorrem em até 20% dos pacientes, especialmente se houver subdiagnóstico ou tratamento inadequado inicial. Portanto, o acompanhamento clínico contínuo e a reavaliação por imagem, quando necessário, são componentes essenciais do plano terapêutico.