Efeitos colaterais do preenchimento facial com gordura autóloga
A lipoenxertia autóloga para preenchimento das bochechas é um procedimento estético cada vez mais comum, que consiste na remoção de gordura de áreas com acúmulo adiposo (como abdome ou coxas), seguida
A lipoenxertia autóloga para preenchimento das bochechas é um procedimento estético cada vez mais comum, que consiste na remoção de gordura de áreas com acúmulo adiposo (como abdome ou coxas), seguida de processamento e reinjeção no tecido subcutâneo das bochechas. Embora seja considerado seguro quando realizado por profissionais qualificados e em condições adequadas, o procedimento não está isento de riscos e efeitos adversos.
Entre os efeitos colaterais mais frequentes estão edema localizado, equimoses e leve desconforto nos sítios de punção — manifestações transitórias, geralmente resolvidas em até duas semanas. Complicações mais relevantes incluem assimetria facial, nódulos palpáveis ou irregularidades cutâneas, decorrentes de uma injeção inadequada ou da reabsorção desigual do enxerto. Em alguns casos, pode ocorrer necrose gordurosa, caracterizada por áreas endurecidas, dolorosas e com alteração de coloração, exigindo acompanhamento clínico e, eventualmente, intervenção cirúrgica.
Raros, porém potencialmente graves, são os eventos relacionados à injeção intravascular acidental, como embolia gordurosa, que pode levar a complicações oculares (incluindo perda visual) ou neurológicas. Esses riscos são significativamente reduzidos com técnicas adequadas — como uso de cânulas rombas, injeção em planos profundos e pressão mínima durante a infusão — além de avaliação pré-operatória rigorosa e experiência do cirurgião plástico.
É fundamental que o paciente seja informado sobre a natureza parcialmente imprevisível da sobrevivência do enxerto adiposo — entre 40% e 70% das células transplantadas podem ser reabsorvidas nos primeiros meses — e que resultados definitivos só são avaliáveis após três a seis meses. A escolha de um especialista certificado pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP) e a adesão estrita às orientações pós-operatórias são fatores determinantes para a segurança e eficácia do tratamento.