Suplementação de ferro em crianças com anemia ferropriva
As crianças com anemia ferropriva apresentam níveis reduzidos de hemoglobina e reservas corporais de ferro, o que pode comprometer seu desenvolvimento cognitivo, motor e imunológico. O tratamento prin
As crianças com anemia ferropriva apresentam níveis reduzidos de hemoglobina e reservas corporais de ferro, o que pode comprometer seu desenvolvimento cognitivo, motor e imunológico. O tratamento principal consiste na suplementação oral de ferro elementar, geralmente na forma de sulfato ferroso, gluconato ferroso ou fumarato ferroso — todas com boa biodisponibilidade em pacientes pediátricos.
A dose recomendada é de 3 a 6 mg/kg/dia de ferro elementar, administrada em uma ou duas doses diárias, preferencialmente entre as refeições para otimizar a absorção — embora o uso concomitante com alimentos ricos em vitamina C possa melhorar significativamente a captação intestinal do mineral. É fundamental evitar a administração simultânea com leite, chá, café ou suplementos de cálcio, pois esses interferem na absorção do ferro.
O início da resposta terapêutica é observado em cerca de 7 a 10 dias, com aumento progressivo da concentração de hemoglobina (cerca de 1 g/dL por semana). A suplementação deve ser mantida por, no mínimo, três meses após a normalização dos níveis de hemoglobina, garantindo a reposição adequada das reservas ferritinêmicas. Em casos de má adesão, intolerância gastrointestinal ou má absorção, pode-se considerar a via intravenosa, sob rigorosa avaliação hematológica e pediátrica.
Além da suplementação, é essencial investigar e tratar a causa subjacente da deficiência — como ingestão inadequada de ferro na dieta, perdas crônicas (ex.: sangramento gastrointestinal) ou aumento das necessidades fisiológicas (ex.: crescimento acelerado ou prematuridade). A orientação nutricional e o acompanhamento longitudinal são pilares fundamentais para prevenção recorrente e promoção da saúde integral da criança.