Como cultivar feijão-mungo: método passo a passo
A cultura do feijão-mungo (Vigna radiata) é uma prática agrícola tradicional em diversas regiões da Ásia, mas também tem ganhado destaque no Brasil e em outros países de clima tropical e subtropical d
A cultura do feijão-mungo (Vigna radiata) é uma prática agrícola tradicional em diversas regiões da Ásia, mas também tem ganhado destaque no Brasil e em outros países de clima tropical e subtropical devido ao seu curto ciclo vegetativo, alta produtividade e valor nutricional excepcional. Trata-se de uma leguminosa rica em proteínas de alto valor biológico, fibras solúveis e insolúveis, ferro não-heme, folato e antioxidantes como a vitamina C e os polifenóis.
O cultivo começa com a seleção de sementes certificadas, livres de doenças e com poder germinativo superior a 90%. Recomenda-se o uso de variedades adaptadas às condições edafoclimáticas locais — especialmente aquelas resistentes à antracnose e à mancha angular. O solo ideal deve ser bem drenado, com pH entre 6,0 e 7,5, rico em matéria orgânica e com baixa salinidade. Evita-se áreas com histórico recente de cultivos de outras leguminosas para reduzir o risco de acúmulo de patógenos no solo.
A época de plantio varia conforme a região: no Brasil, as semeaduras são mais frequentes entre setembro e janeiro, evitando períodos de excesso de chuva ou estiagem prolongada. A semeadura pode ser feita manualmente ou mecanicamente, em linhas espaçadas entre 40 e 50 cm, com profundidade de 3 a 5 cm. A densidade recomendada é de 25 a 35 kg de sementes por hectare, ajustada conforme a qualidade da semente e a fertilidade do solo.
O manejo nutricional prioriza a inoculação das sementes com rizóbios específicos (Rhizobium radiobacter ou Bradyrhizobium spp.), essencial para a fixação biológica de nitrogênio. Adubações complementares devem ser baseadas em análise de solo; geralmente, aplicações moderadas de fósforo e potássio são suficientes, enquanto o nitrogênio mineral deve ser evitado, exceto em situações de falha na nodulação.
O controle fitossanitário deve seguir princípios integrados: rotação de culturas, uso de cultivares resistentes, monitoramento contínuo de pragas (como a lagarta-do-cartucho e o ácaro-vermelho) e doenças (como a podridão de raiz causada por Fusarium e a queima-das-folhas por Cercospora), com intervenções químicas apenas quando os níveis de dano ultrapassam os limiares econômicos.
A colheita ocorre entre 60 e 75 dias após a emergência, quando cerca de 80% das vagens estiverem maduras e secas, com coloração marrom-avermelhada. A colheita mecânica exige cuidado para minimizar perdas e quebras de grãos; já a colheita manual permite maior seletividade, especialmente em áreas menores ou em sistemas agroecológicos. Após a colheita, os grãos devem ser secados até atingirem um teor de umidade inferior a 13% para garantir a conservação adequada e evitar deterioração pós-colheita.