Como cuidar da paralisia do nervo laríngeo recorrente
A paralisia do nervo laríngeo recorrente é uma condição neurológica que compromete o movimento das cordas vocais, podendo resultar em disfonia, tosse ineficaz, aspiração e, em casos graves, obstrução
A paralisia do nervo laríngeo recorrente é uma condição neurológica que compromete o movimento das cordas vocais, podendo resultar em disfonia, tosse ineficaz, aspiração e, em casos graves, obstrução respiratória. Essa alteração ocorre quando há lesão ou disfunção do nervo laríngeo recorrente — ramo do nervo vago responsável pela inervação dos músculos intrínsecos da laringe, com exceção do cricoaritenóideo lateral.
As causas mais comuns incluem cirurgias cervicais ou torácicas (especialmente tireoidectomia e procedimentos cardiovasculares), tumores mediastinais ou esofágicos, infecções virais, processos inflamatórios autoimunes e, menos frequentemente, traumatismos ou doenças neurológicas degenerativas. O diagnóstico baseia-se na anamnese detalhada, exame físico com laringoscopia direta ou indireta — que revela imobilidade unilateral ou bilateral das cordas vocais — e, quando necessário, estudos complementares como tomografia de tórax ou ressonância magnética para identificar lesões compressivas.
O manejo depende da gravidade, duração e etiologia subjacente. Em casos agudos e bilaterais, pode ser necessária intervenção urgente, como traqueostomia, para garantir a via aérea. Nas formas unilaterais, a abordagem inicial é conservadora: terapia fonoaudiológica especializada em voz e deglutição, orientações sobre segurança alimentar (como modificação de consistência dos alimentos e técnicas posturais) e monitoramento clínico rigoroso. Em pacientes com paralisia persistente por mais de seis a doze meses sem melhora funcional, opções cirúrgicas — como injeção laríngea com substâncias volumizadoras ou medialização por implante — podem ser consideradas para restaurar a competência glótica e reduzir o risco de aspiração.
A vigilância contínua é essencial, especialmente em idosos ou em indivíduos com comorbidades respiratórias, pois a paralisia laríngea pode predispor à pneumonia por aspiração. A colaboração multidisciplinar entre otorrinolaringologistas, fonoaudiólogos, pneumologistas e neurologistas é fundamental para otimizar o prognóstico e a qualidade de vida desses pacientes.