Quatro perfis de pessoas que não devem fazer blefaroplastia para criar pálpebras duplas
Existem quatro perfis de pacientes para os quais a blefaroplastia estética — popularmente conhecida como “cirurgia de dupla pálpebra” — não é indicada. Essa intervenção, embora comum e geralmente segu
Existem quatro perfis de pacientes para os quais a blefaroplastia estética — popularmente conhecida como “cirurgia de dupla pálpebra” — não é indicada. Essa intervenção, embora comum e geralmente segura, exige avaliação rigorosa pré-operatória, pois sua realização inadequada pode resultar em complicações funcionais ou estéticas significativas.
O primeiro grupo inclui indivíduos com ptose palpebral moderada a grave. Nesses casos, o músculo elevador da pálpebra apresenta fraqueza funcional, levando à queda excessiva da pálpebra superior. Realizar uma cirurgia meramente estética sem corrigir previamente essa disfunção muscular pode agravar a obstrução visual e comprometer a abertura palpebral, exigindo, posteriormente, procedimentos mais complexos de correção funcional.
O segundo perfil refere-se a pacientes com distrofia miotônica ou outras miopatias congênitas que afetam a musculatura ocular. A alteração na contratilidade do músculo elevador torna o resultado cirúrgico imprevisível e aumenta o risco de insuficiência palpebral pós-operatória — condição em que o paciente não consegue fechar completamente os olhos, predispondo à síndrome do olho seco grave e à exposição córnea.
O terceiro grupo engloba pessoas com oftalmopatia associada à doença de Graves, especialmente aquelas com proptose (exoftalmia) ativa ou inflamação orbitária em curso. A cirurgia palpebral nesse contexto pode exacerbar o edema periorbitário, dificultar a lubrificação ocular e elevar o risco de úlceras córneas devido à exposição inadequada da superfície ocular.
Por fim, pacientes com distúrbios autoimunes sistêmicos ativos — como lúpus eritematoso sistêmico, síndrome de Sjögren ou esclerodermia — apresentam risco aumentado de má cicatrização, fibrose tecidual anormal e resposta inflamatória exacerbada ao trauma cirúrgico. Nessas situações, a prioridade deve ser o controle clínico da doença de base antes mesmo de se considerar qualquer intervenção estética.
A decisão sobre a viabilidade da blefaroplastia deve sempre ser tomada por um oftalmologista especializado em cirurgia plástica e reconstrutiva palpebral ou por um cirurgião plástico com experiência comprovada em patologia ocular. Avaliações complementares — como teste de levantamento palpebral, medição da fissura palpebral, avaliação da função lacrimal e exames de imagem orbitária, quando indicados — são fundamentais para garantir segurança e resultados adequados.