A ESD é uma opção segura e eficaz para o tratamento de pâncreas ectópico?
O tratamento endoscópico por dessecção submucosa (ESD) para pâncreas ectópico é uma opção terapêutica viável e segura em centros especializados, desde que realizada por profissionais experientes e com
O tratamento endoscópico por dessecção submucosa (ESD) para pâncreas ectópico é uma opção terapêutica viável e segura em centros especializados, desde que realizada por profissionais experientes e com rigorosa seleção pré-operatória dos pacientes.
O pâncreas ectópico — tecido pancreático heterotópico localizado fora da anatomia pancreática normal, frequentemente no estômago, duodeno ou íleo — é geralmente assintomático e descoberto incidentalmente. Contudo, quando causa sintomas como dor abdominal, sangramento gastrointestinal ou obstrução, ou apresenta risco de transformação neoplásica (embora raro), a remoção torna-se indicada.
A ESD permite a ressecção en bloc de lesões submucosas com margens livres, preservando a integridade da parede gastrointestinal. Estudos recentes demonstram taxas de cura completa superiores a 95% em lesões menores que 2 cm, com baixa incidência de complicações graves — como perfuração (1–3%) ou hemorragia pós-procedimento (2–5%). A recorrência local é excepcional quando as margens cirúrgicas são negativas ao exame histopatológico.
É fundamental ressaltar que a ESD não é indicada para todos os casos: lesões maiores que 3 cm, localizadas em áreas anatomicamente desfavoráveis (como curvatura gástrica maior ou região bulbar duodenal), ou com suspeita de invasão profunda ou malignidade devem ser avaliadas individualmente, podendo exigir abordagem cirúrgica convencional ou outras modalidades terapêuticas.
Em resumo, a ESD é um procedimento consolidado e confiável para o tratamento do pâncreas ectópico sintomático ou com potencial oncogênico, desde que aplicado criteriosamente dentro de protocolos multidisciplinares e com acompanhamento histológico rigoroso.