A pneumonia causada pelo novo coronavírus provoca corrimento nasal?
A rinorreia — ou seja, o corrimento nasal — não é um sintoma típico da pneumonia causada pelo SARS-CoV-2, conhecida popularmente como COVID-19. Embora a infecção viral possa afetar as vias respiratóri
A rinorreia — ou seja, o corrimento nasal — não é um sintoma típico da pneumonia causada pelo SARS-CoV-2, conhecida popularmente como COVID-19. Embora a infecção viral possa afetar as vias respiratórias superiores, os sinais e sintomas mais frequentemente relatados são febre, tosse seca, fadiga, perda do olfato (anosmia) e do paladar (ageusia), além de dor muscular e dor de cabeça.
Em contraste, o corrimento nasal é muito mais comum em infecções virais leves das vias respiratórias superiores, como o resfriado comum (geralmente causado por rinovírus) ou algumas cepas de coronavírus sazonais (por exemplo, HCoV-229E ou HCoV-OC43). Quando presente na COVID-19, a rinorreia costuma ser leve, transitória e associada a quadros iniciais ou menos graves — mas nunca é um achado predominante ou um marcador confiável para diagnóstico.
É importante destacar que a pneumonia por SARS-CoV-2 é, sobretudo, uma doença das vias respiratórias inferiores, com comprometimento pulmonar caracterizado por infiltrados bilaterais em tomografia de tórax e alterações na gasometria arterial, como hipoxemia. A presença isolada de corrimento nasal, sem outros sinais sistêmicos ou respiratórios, praticamente exclui o diagnóstico de pneumonia viral grave.
Diante de sintomas respiratórios, a avaliação clínica cuidadosa, associada à história epidemiológica, exame físico e, quando indicado, testagem molecular (RT-PCR) ou sorológica, permanece essencial para orientar o diagnóstico diferencial — que inclui gripe, infecções bacterianas, alergias e outras pneumonias virais ou atípicas.