Gases em recém-nascidos: mães que amamentam precisam restringir alimentos na dieta?
É comum que recém-nascidos apresentem desconforto abdominal, gases e choro aparentemente sem causa aparente — um quadro frequentemente atribuído à “cólica do lactente” ou ao excesso de ar ingerido dur
É comum que recém-nascidos apresentem desconforto abdominal, gases e choro aparentemente sem causa aparente — um quadro frequentemente atribuído à “cólica do lactente” ou ao excesso de ar ingerido durante a alimentação. Diante disso, muitas mães em aleitamento materno questionam se precisam restringir certos alimentos da dieta para aliviar os sintomas do bebê.
Não há evidência científica robusta que sustente a necessidade de restrições dietéticas universais para mães lactantes com bebês que apresentam distensão abdominal ou flatulência. A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) e a Academia Americana de Pediatria (AAP) orientam que, na ausência de sinais claros de alergia ou intolerância alimentar — como urticária, diarreia sanguinolenta, vômitos recorrentes, perda ponderal ou eczema grave — não é indicado eliminar grupos alimentares inteiros da dieta materna.
O trato gastrointestinal do recém-nascido ainda está em maturação: a motilidade intestinal é imatura, a flora bacteriana está sendo estabelecida e a capacidade de digerir certos carboidratos — como a lactose presente no leite materno — pode variar individualmente. Esses fatores são muito mais relevantes para o aparecimento de gases do que os alimentos consumidos pela mãe, já que apenas traços mínimos de proteínas alimentares passam para o leite humano, e sua influência direta sobre os sintomas gastrointestinais do lactente é rara e altamente específica.
Caso haja suspeita clínica de sensibilidade alimentar — por exemplo, quando o bebê apresenta padrão consistente de irritabilidade, distensão abdominal intensa e evacuações anormais após ingestão materna repetida de um determinado alimento — pode-se considerar, sob orientação médica e com acompanhamento nutricional, uma restrição temporária e dirigida (como a exclusão de leite de vaca por quatro semanas), seguida de reintrodução controlada para avaliação de resposta.
O mais importante é garantir que a mãe mantenha uma alimentação equilibrada, rica em nutrientes essenciais para a produção de leite de qualidade e para sua própria saúde. Restrições desnecessárias podem comprometer o aporte de cálcio, vitamina D, ferro e ácidos graxos ômega-3, além de gerar ansiedade e culpa infundadas. O apoio profissional — pediátrico, nutricional e psicológico — é fundamental para orientar com segurança e humanidade nessa fase delicada.