O ultrassom cirúrgico pode ser realizado três vezes consecutivas?
A utilização repetida do ultrassom focalizado de alta intensidade (HIFU), popularmente conhecido no Brasil como “ultrassom cirúrgico” ou, por analogia incorreta com dispositivos estéticos, como “ultra
A utilização repetida do ultrassom focalizado de alta intensidade (HIFU), popularmente conhecido no Brasil como “ultrassom cirúrgico” ou, por analogia incorreta com dispositivos estéticos, como “ultrassom de lâmina”, exige avaliação rigorosa caso a caso. Não existe uma recomendação universal que autorize ou proíba a realização de três sessões consecutivas — o que determina a viabilidade e segurança é o diagnóstico clínico preciso, o tipo de tecido alvo, a profundidade e extensão da lesão, bem como a resposta individual do paciente à terapia.
Em contextos oncológicos, como no tratamento paliativo de tumores hepáticos ou renais inoperáveis, o HIFU pode ser aplicado em múltiplas sessões, desde que haja intervalo adequado entre elas (geralmente de quatro a oito semanas) para permitir a recuperação tecidual, avaliação da resposta terapêutica por imagem e reavaliação da viabilidade do tratamento. Nesses cenários, três sessões são possíveis, mas nunca “contínuas” — ou seja, sem intervalos — devido ao risco de necrose tecidual excessiva, lesão térmica em estruturas adjacentes (como nervos periféricos ou vasos sanguíneos) e complicações inflamatórias sistêmicas.
Já em aplicações estéticas — como o tratamento não invasivo de flacidez cutânea ou remodelação do contorno facial — o uso de dispositivos baseados em energia ultrassônica (ex.: Ultherapy®) segue protocolos estritamente regulamentados pela ANVISA e pelas diretrizes internacionais da International Society of Aesthetic Plastic Surgery (ISAPS). Nessas indicações, geralmente se recomenda apenas uma sessão anual, com reavaliação clínica obrigatória antes de qualquer nova aplicação. Realizar três sessões em curto espaço de tempo não está validado cientificamente e pode aumentar significativamente o risco de edema prolongado, eritema persistente, formação de nódulos subcutâneos ou até lesão neurológica transitória.
Portanto, a decisão sobre o número e o espaçamento das sessões deve ser tomada exclusivamente por médico especialista — preferencialmente radiologista intervencionista, oncologista clínico ou dermatologista com treinamento específico em terapias por energia focada — após análise integrada de exames de imagem, exame físico detalhado e discussão transparente dos riscos, benefícios e alternativas terapêuticas disponíveis.