Por que os idosos suam excessivamente?
É comum que idosos apresentem alterações na regulação da temperatura corporal, o que pode levar a uma sudorese excessiva ou, paradoxalmente, a uma diminuição da transpiração. Vários fatores contribuem para esse fenômeno: a redução da massa de glândulas sudoríparas e sua menor atividade com o avanço da idade; a atrofia da pele, com diminuição da vascularização e da hidratação cutânea; e alterações no sistema nervoso autônomo, que regula a resposta termorregulatória. Além disso, condições clínicas frequentes na terceira idade — como hipotireoidismo, diabetes mellitus (especialmente com neuropatia autonômica), doenças cardiovasculares, infecções crônicas (ex.: tuberculose latente), síndromes linfoproliferativas (como linfoma) e distúrbios hormonais (ex.: síndrome das quatro glândulas hiperativas) — podem se manifestar com sudorese noturna ou diurna intensa.
Não devemos esquecer também o impacto de medicamentos amplamente utilizados por idosos: antidepressivos tricíclicos, inibidores seletivos da recaptação da serotonina (ISRS), anticolinérgicos, opioides, glicocorticoides e alguns anti-hipertensivos estão associados a hiperidrose como efeito adverso. A avaliação clínica deve ser minuciosa, incluindo anamnese detalhada (horário, localização, associação a outros sintomas como febre, perda de peso, palpitações ou tremores), exame físico completo e exames complementares direcionados — como dosagem sérica de TSH, glicemia de jejum, hemograma completo, lactato desidrogenase (LDH), proteína C reativa (PCR) e, quando indicado, imagem torácica ou estudos endócrinos.
Recomenda-se evitar automedicação e ajustes não supervisionados de medicação. O manejo depende da causa identificada: pode envolver correção de desequilíbrios hormonais, tratamento de infecções ou neoplasias, revisão farmacológica ou medidas não farmacológicas, como uso de roupas leves, controle ambiental da temperatura e hidratação adequada. Caso a sudorese seja persistente, acompanhada de sinais de alarme (ex.: perda ponderal inexplicada >5% do peso corporal em 6 meses, febre prolongada ou linfadenomegalia), é fundamental encaminhamento imediato para avaliação especializada.