Por que a barriga inferior da mulher sempre fica inchada?
A distensão abdominal frequente em mulheres pode ter diversas causas, muitas delas benignas, mas que merecem avaliação clínica adequada para descartar condições mais graves. Entre as causas mais comuns estão distúrbios funcionais do trato gastrointestinal, como a síndrome do intestino irritável (SII), caracterizada por dor abdominal associada a alterações no hábito intestinal (diarreia, constipação ou alternância entre ambas) e sensação de inchaço, muitas vezes relacionada à fermentação excessiva de carboidratos pela microbiota intestinal — fenômeno conhecido como disbiose ou intolerância a FODMAPs.
Outras causas frequentes incluem constipação crônica, aerofagia (ingestão excessiva de ar durante a alimentação ou ansiedade), má digestão de lactose ou frutose, e uso de medicamentos como antibióticos ou laxantes. Em mulheres em idade fértil, é fundamental considerar fatores hormonais: a retenção hídrica e o aumento da motilidade intestinal durante o ciclo menstrual — especialmente na fase pré-menstrual — podem intensificar a sensação de abdome distendido e gás. Além disso, condições ginecológicas como endometriose, miomas uterinos ou cistos ovarianos também podem causar distensão abdominal, muitas vezes acompanhadas de dor pélvica, alterações menstruais ou dispareunia.
Causas menos comuns, porém importantes de serem investigadas, incluem doenças inflamatórias intestinais (como a doença de Crohn ou retocolite ulcerativa), tumores abdominais (benignos ou malignos), obstrução intestinal parcial ou síndrome das vias biliares esclerosantes. Sintomas de alerta que exigem avaliação médica imediata são: perda de peso inexplicada, sangramento retal, febre persistente, dor abdominal intensa e progressiva, vômitos recorrentes ou alteração significativa no padrão intestinal há mais de quatro semanas.
O diagnóstico envolve anamnese detalhada, exame físico e, conforme indicado, exames complementares — como ultrassonografia pélvica e abdominal, colonoscopia, testes respiratórios para intolerâncias alimentares (ex.: teste de hidrogênio expirado) ou exames laboratoriais (hemograma, função hepática, marcadores inflamatórios). O tratamento é sempre direcionado à causa subjacente e pode incluir ajustes dietéticos (dieta de baixo teor de FODMAPs, redução de lactose/frutose), modulação da microbiota intestinal, terapia farmacológica específica (espasmolíticos, probióticos, laxantes osmóticos) ou, em casos selecionados, intervenção cirúrgica ou ginecológica.