O que é a testosterona sérica?
O teste de testosterona sérica é um exame laboratorial que mede a concentração de testosterona — o principal andrógeno (hormônio sexual masculino) — no plasma sanguíneo. A testosterona é produzida predominantemente nos testículos em homens e, em menor quantidade, nos ovários e nas glândulas adrenais em mulheres. No sangue, ela circula de forma livre (aproximadamente 1–2%), ligada à globulina transportadora de hormônios sexuais (SHBG, responsável por cerca de 40–60%) ou ligada à albumina (cerca de 30–40%). A fração biologicamente ativa inclui a testosterona livre e a fracamente ligada à albumina, pois ambas podem difundir facilmente para os tecidos-alvo.
Esse exame é indicado em diversas situações clínicas, como avaliação de hipogonadismo em homens (com sintomas como diminuição da libido, fadiga, disfunção erétil, perda de massa muscular ou osteoporose), investigação de puberdade precoce ou tardia em crianças e adolescentes, diagnóstico de hiperandrogenismo em mulheres (ex.: amenorreia, hirsutismo, acne grave ou síndrome das ovárias policísticas) e acompanhamento de terapia de reposição hormonal. É fundamental ressaltar que a coleta deve ser realizada pela manhã (entre 7h e 10h), pois os níveis apresentam ritmo circadiano com pico matinal, especialmente em homens jovens.
Os valores de referência variam conforme idade, sexo e método analítico utilizado, mas, de modo geral, em homens adultos saudáveis, os níveis séricos totais oscilam entre 270 e 1.070 ng/dL (9,4–37,1 nmol/L), enquanto em mulheres adultas ficam entre 8 e 60 ng/dL (0,3–2,1 nmol/L). Interpretações isoladas devem ser feitas com cautela: resultados borderline exigem correlação clínica rigorosa e, muitas vezes, exames complementares — como SHBG, testosterona livre calculada ou medida direta por equilíbrio dialítico, LH, FSH e prolactina — para uma avaliação diagnóstica precisa.