Como remover as manchas nas bochechas?
As manchas nas bochechas são um problema dermatológico bastante comum, frequentemente associado à melasma, lentiginose solar (manchas senis), pós-inflamatória ou, menos comumente, a outras condições como nevos melanocíticos benignos. A abordagem terapêutica deve ser personalizada, levando em conta o tipo de mancha, sua profundidade (epidérmica, dérmica ou mista), fototipo cutâneo, histórico de exposição solar e fatores desencadeantes — como gravidez, uso de anticoncepcionais hormonais ou doenças endócrinas.
O tratamento começa com medidas fundamentais de fotoproteção: uso diário de filtro solar de amplo espectro (FPS ≥ 50), com proteção UVA e UVB, reaplicado a cada duas horas em exposição prolongada, além de medidas físicas complementares (chapéus de aba larga, óculos escuros e evitação do horário de maior radiação solar, entre 10h e 16h). Sem essa base, qualquer tratamento tópico ou procedimental terá eficácia reduzida e risco aumentado de recorrência.
Entre as opções tópicas com evidência científica robusta estão o ácido tranexâmico tópico (em concentrações de 3–5%), o hidroquinona a 4% (uso limitado a 3–6 meses sob supervisão médica devido ao risco de oculação ou melanose exógena), retinoides tópicos (como tretinoína 0,025–0,05%) e combinações fixas (ex.: hidroquinona + tretinoína + diflucortolona). O ácido kójico, niacinamida e ácido azelaico também apresentam eficácia moderada, especialmente em casos leves ou como manutenção.
Procedimentos dermatológicos podem ser indicados quando há resposta insuficiente às terapias tópicas. Entre eles destacam-se os peelings químicos superficiais (como ácido glicólico a 30–50% ou ácido salicílico a 20–30%), lasers Q-switched (ex.: Nd:YAG em modo Q-switched para melasma dérmico) e laser de luz intensa pulsada (IPL), embora este último deva ser usado com cautela em pacientes de fototipos mais altos (III–VI), devido ao risco de hiperpigmentação paradoxal. O laser fracionado não ablativo (ex.: 1550 nm) pode ser útil em formas resistentes, mas requer múltiplas sessões e seguimento rigoroso.
É fundamental ressaltar que nenhum tratamento é imediato nem universalmente eficaz: a melasma, por exemplo, tem alta taxa de recorrência e exige acompanhamento contínuo. Recomenda-se avaliação por dermatologista para diagnóstico preciso — muitas vezes auxiliado por dermatoscopia ou videodermatoscopia — e planejamento terapêutico individualizado. Autotratamentos com produtos não regulamentados, aplicações caseiras ou procedimentos estéticos não supervisionados devem ser evitados, pois podem agravar a pigmentação ou causar lesões cutâneas permanentes.