Como remover a cicatriz deixada pelos pontos?
A cicatriz resultante de pontos cirúrgicos é uma resposta fisiológica normal à lesão tecidual e ao processo de reparação. Sua aparência depende de diversos fatores, incluindo a técnica cirúrgica empregada, a localização anatômica, a idade do paciente, o tipo de pele (especialmente o fototipo cutâneo), a presença de infecção ou tensão excessiva na ferida, além de fatores genéticos. Não existe um método único capaz de “remover” completamente uma cicatriz madura — o que se busca, clinicamente, é a sua melhora estética e funcional por meio de estratégias baseadas em evidências.
As opções terapêuticas variam conforme o estágio da cicatriz: nas fases iniciais (até 6–12 meses), prioriza-se a modulação da cicatrização com silicone em forma de géis ou folhas, massagem suave com óleos hidratantes (como óleo de rosa-mosqueta ou de amêndoas doces), proteção solar rigorosa (fator de proteção ≥50, aplicado diariamente) e, em casos selecionados, infiltrações intralesionais com corticosteroides (ex.: triancinolona) para cicatrizes hipertróficas ou queloides. Após esse período, quando a cicatriz já está madura e estável, podem ser consideradas intervenções mais avançadas, como laser vascular (para reduzir eritema), laser fracionado ablativo ou não ablativo (para remodelar o colágeno e melhorar textura e relevo), microagulhamento (com ou sem radiofrequência) ou, excepcionalmente, cirurgia revisional — sempre associada a medidas profiláticas pós-operatórias para evitar recorrência.
É fundamental ressaltar que intervenções inadequadas, como uso indiscriminado de cremes caseiros, ácidos fortes ou procedimentos não supervisionados, podem agravar a lesão, causar hipopigmentação, despigmentação ou até formação de queloides. Por isso, recomenda-se avaliação prévia por dermatologista ou cirurgião plástico especializado em cicatrizes, que realizará diagnóstico preciso do tipo de cicatriz (normal, hipertrófica, queloide ou atrófica) e personalizará o plano terapêutico com base na história clínica, exame físico e expectativas realistas do paciente.