Por que o peso da criança não aumenta?
É comum que pais e cuidadores fiquem preocupados quando percebem que a criança não apresenta ganho de peso adequado ao longo do crescimento. Esse quadro, conhecido clinicamente como ganho de peso inad
É comum que pais e cuidadores fiquem preocupados quando percebem que a criança não apresenta ganho de peso adequado ao longo do crescimento. Esse quadro, conhecido clinicamente como ganho de peso inadequado ou falha na progressão ponderal, pode ter múltiplas causas — desde fatores nutricionais até condições médicas subjacentes mais complexas.
Entre as causas mais frequentes estão ingestão insuficiente de calorias, seja por dificuldades na alimentação (como recusa alimentar, problemas de sucção ou deglutição), má técnica de amamentação, ou erros na preparação de fórmulas infantis. Em lactentes, também merecem atenção distúrbios gastrointestinais, como refluxo gastroesofágico intenso, alergia à proteína do leite de vaca ou intolerância à lactose, que podem levar à má absorção ou à perda calórica.
Condições sistêmicas também devem ser investigadas: infecções crônicas (por exemplo, tuberculose ou infecções urinárias recorrentes), doenças metabólicas congênitas (como fenilcetonúria ou defeitos na oxidação de ácidos graxos), cardiopatias congênitas com sobrecarga circulatória, ou distúrbios endócrinos — destacando-se o hipotireoidismo congênito e o déficit de hormônio do crescimento.
Além disso, fatores psicossociais, como negligência, estresse ambiental intenso ou desestruturação familiar, podem impactar negativamente o apetite e o comportamento alimentar da criança, contribuindo para o comprometimento ponderal.
A avaliação diagnóstica deve ser individualizada e multidimensional: inclui anamnese detalhada (histórico gestacional, padrões alimentares, sinais associados como diarreia, vômitos, sudorese excessiva ou fadiga), exame físico completo (com avaliação de sinais de desnutrição, dismorfias, sinais de má perfusão ou cianose) e exames complementares direcionados — como hemograma, perfil bioquímico, função tireoidiana, testes de tolerância à glicose, exames de imagem ou estudos genéticos, conforme indicado.
O manejo depende da causa identificada e envolve, muitas vezes, abordagem interdisciplinar com pediatra, nutricionista, gastroenterologista pediátrico, endocrinologista e, quando necessário, equipe de saúde mental. A intervenção precoce é essencial para prevenir complicações como retardo do desenvolvimento neuropsicomotor, imunodeficiência secundária e alterações no padrão de crescimento a longo prazo.