Causas do cabelo amarelado em crianças
A coloração amarelada dos fios em crianças pode ser um achado comum e, na maioria das vezes, inofensivo — especialmente quando presente desde o nascimento ou nos primeiros meses de vida. Essa tonalida
A coloração amarelada dos fios em crianças pode ser um achado comum e, na maioria das vezes, inofensivo — especialmente quando presente desde o nascimento ou nos primeiros meses de vida. Essa tonalidade frequentemente reflete características genéticas familiares, como a herança de cabelos loiros ou ruivos, ou variações normais na síntese da melanina, o pigmento responsável pela cor dos pelos e da pele.
Contudo, em alguns casos, o amarelamento do cabelo pode sinalizar condições clínicas subjacentes que merecem avaliação médica. Uma causa relevante é a deficiência de cobre, nutriente essencial para a atividade da tirosinase — enzima fundamental na produção de melanina. Crianças com baixos níveis séricos de cobre podem apresentar cabelo despigmentado, além de alterações neurológicas, hipotonia e anemia microcítica refratária ao tratamento convencional.
O distúrbio metabólico conhecido como síndrome de Menkes também deve ser considerado, particularmente em meninos com cabelo fino, frágil, despigmentado e emaranhado (“cabelo em cachos de lã”), associado a atraso global do desenvolvimento, hipotonia grave e hipotermia. Trata-se de uma doença ligada ao cromossomo X, causada por mutações no gene ATP7A, que compromete a absorção e o transporte do cobre no organismo.
Outras possibilidades incluem deficiências nutricionais mais amplas — como carência de proteínas, zinco ou biotina —, especialmente em contextos de desnutrição grave ou síndromes de má-absorção. Em raros casos, alterações hepáticas crônicas ou doenças genéticas do metabolismo dos aminoácidos (ex.: fenilcetonúria não tratada) também podem influenciar a pigmentação capilar.
É fundamental ressaltar que a simples observação de fios amarelados, sem outros sinais ou sintomas associados — como falha no ganho de peso, atraso no desenvolvimento, alterações cutâneas ou neurológicas — geralmente não exige investigação complementar. No entanto, diante de achados atípicos ou progressivos, recomenda-se avaliação pediátrica detalhada, com exames laboratoriais direcionados conforme o quadro clínico — incluindo dosagem sérica de cobre, ceruloplasmina, zinco, ferritina e perfil hepático, além de avaliação nutricional e neurológica.