Por que pacientes com bronquite desenvolvem febre baixa?
Em pacientes com bronquite, a febre baixa — geralmente definida como temperatura corporal entre 37,5 °C e 38,5 °C — é um achado clínico comum e frequentemente reflete a resposta imunológica do organis
Em pacientes com bronquite, a febre baixa — geralmente definida como temperatura corporal entre 37,5 °C e 38,5 °C — é um achado clínico comum e frequentemente reflete a resposta imunológica do organismo à inflamação das vias respiratórias inferiores. A bronquite, seja aguda ou crônica, envolve a inflamação da mucosa brônquica, que pode ser desencadeada por vírus (como rinovírus, vírus sincicial respiratório ou influenza), bactérias (em casos menos frequentes, como infecções secundárias por Streptococcus pneumoniae ou Haemophilus influenzae) ou agentes irritantes ambientais.
A febre leve surge como consequência da liberação de citocinas pró-inflamatórias — especialmente interleucina-1β (IL-1β), interleucina-6 (IL-6) e fator de necrose tumoral alfa (TNF-α) — pelas células imunes ativadas no tecido brônquico. Essas moléculas sinalizadoras atuam no hipotálamo, elevando o ponto de ajuste da temperatura corporal. Diferentemente da febre alta, que exige investigação mais detalhada, a febre baixa na bronquite costuma ser autolimitada, durando de dois a cinco dias, e correlaciona-se com a fase inicial ou de pico da resposta inflamatória.
É importante destacar que a presença de febre baixa não indica necessariamente infecção bacteriana nem justifica, por si só, o uso empírico de antibióticos. Na bronquite aguda viral — que representa cerca de 90% dos casos — o tratamento permanece sintomático: hidratação adequada, repouso, uso de analgésicos/antitérmicos como paracetamol ou ibuprofeno (quando indicado) e, em alguns casos, broncodilatadores para alívio da obstrução brônquica. A persistência da febre além de cinco dias, sua progressão para valores superiores a 38,5 °C, ou a associação com sinais de alarme — como taquipneia, cianose, confusão mental ou expectoração purulenta abundante — deve orientar avaliação clínica complementar para afastar complicações como pneumonia ou exacerbação de doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC).