Por que a ordenha pós-parto pode desencadear contrações uterinas
Amamentar ou extrair leite após o parto desencadeia contrações uterinas por meio de um mecanismo fisiológico bem estabelecido: a liberação reflexa de ocitocina. Quando o bebê suga o mamilo — ou quando
Amamentar ou extrair leite após o parto desencadeia contrações uterinas por meio de um mecanismo fisiológico bem estabelecido: a liberação reflexa de ocitocina. Quando o bebê suga o mamilo — ou quando há estimulação mecânica do tecido mamário, como na ordenha manual ou com bomba — receptores sensoriais na aréola e no mamilo enviam impulsos nervosos ao hipotálamo, que, por sua vez, estimula a neuro-hipófise a liberar ocitocina na corrente sanguínea.
A ocitocina é um hormônio peptídico com forte ação mioestimulante sobre o músculo liso uterino. Durante o pós-parto imediato, o útero permanece altamente sensível a esse hormônio, cujas contrações promovem a involução uterina — processo essencial para reduzir o risco de hemorragia pós-parto. Essas contrações, muitas vezes percebidas pela puérpera como cólicas semelhantes às menstruais (especialmente mais intensas nas primeiras 24–48 horas), são um sinal fisiológico positivo de que o organismo está respondendo adequadamente à amamentação.
Esse reflexo também contribui para a expulsão de coágulos residuais e restos placentários, auxiliando na limpeza uterina natural e na restauração da integridade endometrial. Em mulheres que não amamentam, a liberação de ocitocina é menos frequente e menos intensa, o que pode retardar ligeiramente a involução uterina, embora outros mecanismos hormonais e mecânicos continuem atuando.
É importante ressaltar que, embora as contrações sejam normais e benéficas, dor intensa, sangramento abundante (mais de um absorvente por hora) ou febre associada devem ser avaliadas prontamente por profissional de saúde, pois podem indicar complicações como retenção de restos placentários ou infecção puerperal.