O que as mulheres devem fazer para se preparar para a gravidez
Preparar-se para a gravidez é um processo que deve começar ainda antes da concepção — idealmente, entre três a seis meses de antecedência. Essa fase, conhecida como “período pré-concepcional”, é funda
Preparar-se para a gravidez é um processo que deve começar ainda antes da concepção — idealmente, entre três a seis meses de antecedência. Essa fase, conhecida como “período pré-concepcional”, é fundamental para otimizar a saúde da futura mãe e do embrião, reduzindo riscos de complicações como abortamento espontâneo, defeitos do tubo neural, restrição de crescimento fetal e parto prematuro.
Uma das medidas mais importantes é a suplementação profilática de ácido fólico: recomenda-se 400 a 800 microgramas por dia, iniciada pelo menos um mês antes da tentativa de engravidar e mantida até o final do primeiro trimestre. Esse nutriente é essencial para a formação adequada do sistema nervoso central do embrião e reduz significativamente a incidência de anencefalia e espinha bífida.
O controle rigoroso de condições crônicas é outro pilar. Mulheres com diabetes devem buscar glicemia em jejum < 92 mg/dL e hemoglobina glicada < 6,5% antes da concepção; hipotireoidismo requer ajuste da levotiroxina para manter o TSH entre 0,4 e 2,5 mUI/L; e hipertensão arterial exige avaliação cuidadosa dos anti-hipertensivos — alguns, como inibidores da ECA e bloqueadores dos receptores da angiotensina, são contraindicados durante a gestação e devem ser substituídos previamente.
A avaliação vacinal também merece atenção: é indispensável confirmar a imunidade contra rubéola e varicela (por sorologia ou histórico vacinal completo) e atualizar esquemas, evitando vacinas vivas atenuadas nos três meses anteriores à concepção. A vacina contra a coqueluche (dTpa) e a influenza são recomendadas ainda no pré-concepcional ou, se não for possível, já na gestação.
Além disso, recomenda-se cessação do tabagismo, abstinência total de álcool e uso de substâncias ilícitas, revisão crítica de medicamentos em uso crônico (com orientação médica especializada), avaliação nutricional individualizada — incluindo correção de sobrepeso ou obesidade (IMC ≥ 25 kg/m² aumenta risco de infertilidade e complicações obstétricas) — e realização de exames básicos, como hemograma, tipagem sanguínea, sorologias para HIV, sífilis, hepatites B e C, e toxoplasmose.
Por fim, o acompanhamento com profissional de saúde qualificado — ginecologista, clínico geral ou médico de família — permite personalizar esse plano, identificar fatores de risco específicos e promover uma transição saudável para a gestação, com impacto direto na qualidade da vida materna e no desenvolvimento fetal.