Guia de prevenção e tratamento da doença arterial coronariana com a medicina tradicional chinesa: fortalecer o coração, tonificar o qi e garantir a circulação sanguínea
A doença arterial coronariana (DAC), conhecida popularmente como “doença do coração”, é uma das principais causas de morbimortalidade cardiovascular em todo o mundo. Na Medicina Tradicional Chinesa (M
A doença arterial coronariana (DAC), conhecida popularmente como “doença do coração”, é uma das principais causas de morbimortalidade cardiovascular em todo o mundo. Na Medicina Tradicional Chinesa (MTC), essa condição é frequentemente enquadrada sob os conceitos de “Xiong Bi” (opressão torácica) e “Zhen Xin Tong” (dor no coração), associadas a desequilíbrios fundamentais como deficiência de Qi do Coração, estagnação de Sangue, acúmulo de Fleuma e obstrução dos meridianos cardíacos.
O tratamento integrativo na MTC não se limita ao alívio sintomático, mas busca restaurar a harmonia funcional entre os órgãos, fortalecer o Qi cardíaco, promover a circulação sanguínea e dissolver fatores patogênicos como Fleuma e Estase. Nesse contexto, a alimentação terapêutica — ou “alimentação baseada em princípios da MTC” — desempenha um papel estratégico como suporte contínuo à terapêutica convencional.
Alimentos recomendados incluem aqueles com propriedades que tonificam o Qi do Coração e do Baço, ativam a circulação e resolvem Fleuma. Exemplos clássicos são o alho-verde (Jiu Cai), rico em compostos sulfurados que favorecem a vasodilação; o ginseng-coreano (Ren Shen), utilizado com cautela em casos de deficiência de Qi sem excesso de calor; e o peixe-espada (Duo Luo Yu), fonte de ômega-3 com efeito anti-inflamatório e modulador da coagulação. Também são valorizados o arroz integral fermentado (com levedura vermelha, *Monascus purpureus*), usado há séculos para apoiar a saúde lipídica, e o chá de folhas de amora-preta (Hei Sang Ye), reconhecido por sua ação reguladora sobre a pressão arterial e o metabolismo da glicose.
Por outro lado, recomenda-se evitar ou limitar significativamente alimentos que agravam a estagnação de Qi e Sangue ou promovem o acúmulo de Fleuma: gorduras saturadas e trans, açúcares refinados, álcool em excesso, sal em quantidades elevadas e alimentos frios ou crus em grande volume — especialmente em pacientes com padrão de “Frio-umidade” ou “Deficiência de Yang”.
É fundamental ressaltar que as intervenções dietéticas baseadas na MTC devem ser personalizadas conforme o padrão diagnóstico individual — avaliado por profissional qualificado em MTC — e nunca substituem o tratamento médico convencional, incluindo medicações antiplaquetárias, estatinas, betabloqueadores ou procedimentos intervencionistas quando indicados. A integração segura entre as abordagens ocidental e tradicional exige comunicação transparente entre o paciente, o cardiologista e o especialista em medicina tradicional.