O preenchimento com ácido hialurônico nas sulcos lacrimais é seguro?
O preenchimento com ácido hialurônico para correção das sulcos lacrimais é um procedimento estético bastante difundido e, quando realizado por profissionais qualificados e em ambientes adequados, apre
O preenchimento com ácido hialurônico para correção das sulcos lacrimais é um procedimento estético bastante difundido e, quando realizado por profissionais qualificados e em ambientes adequados, apresenta um perfil de segurança favorável. O ácido hialurônico é uma substância biocompatível, biodegradável e já amplamente utilizada há décadas em dermatologia e medicina estética, com extensa evidência clínica que respalda sua tolerabilidade.
No entanto, a segurança do procedimento depende criticamente de fatores técnicos e individuais. A região periorbital — especialmente o sulco lacrimal — é anatomicamente delicada, com vasos sanguíneos finos, nervos sensitivos e proximidade com estruturas vitais como o bulbo ocular e a órbita. Injeções mal posicionadas, excesso de produto ou técnica inadequada podem levar a complicações como edema persistente, assimetrias, nódulos palpáveis, cianose cutânea (efeito Tyndall) ou, em raros casos, comprometimento vascular com risco de necrose tecidual ou perda visual.
Por isso, a escolha do profissional é determinante: deve ser um médico especialista com sólida formação em anatomia facial, experiência específica em injeções na área periocular e conhecimento avançado em manejo de complicações. A avaliação pré-procedimento deve incluir anamnese detalhada, exame físico minucioso e discussão realista das expectativas, limitações e possíveis riscos.
Além disso, o uso de produtos de ácido hialurônico com características reológicas apropriadas — baixa coesividade e alta elasticidade — é essencial para essa região, bem como a aplicação com técnica conservadora, preferencialmente com cânula romba, que reduz significativamente o risco de lesão vascular.
Em resumo, embora o preenchimento do sulco lacrimal com ácido hialurônico seja considerado seguro na prática clínica rotineira, sua eficácia e segurança estão diretamente vinculadas à expertise do operador, à individualização do plano terapêutico e ao rigor no seguimento pós-procedimento.