Como tratar a catarata traumática?
A catarata traumática é uma opacidade do cristalino causada por lesão ocular direta — seja por impacto contuso, perfuração, queimadura química ou térmica, ou exposição à radiação ionizante. Diferentem
A catarata traumática é uma opacidade do cristalino causada por lesão ocular direta — seja por impacto contuso, perfuração, queimadura química ou térmica, ou exposição à radiação ionizante. Diferentemente das cataratas senis, sua evolução pode ser rápida e imprevisível, com risco aumentado de complicações como glaucoma secundário, uveíte, deslocamento do cristalino ou descolamento da retina.
O manejo depende da gravidade da lesão, do grau de opacificação, da estabilidade anatômica do olho e da presença de outras alterações associadas. Em casos leves, com opacidades periféricas e sem comprometimento visual significativo, a conduta inicial é observação clínica com acompanhamento oftalmológico regular. Já quando há perda visual funcional — definida como acuidade visual corrigida inferior a 20/40 ou limitação na realização de atividades diárias — a cirurgia torna-se indicada.
A técnica cirúrgica padrão-ouro é a facoemulsificação com implante de lente intraocular (LIO), realizada sob anestesia tópica ou local. Em olhos com maior instabilidade estrutural — como em lacerações corneoesclerais extensas, zônula rompida ou cápsula posterior comprometida — pode ser necessário abordagem personalizada: uso de LIO de fixação escleral, suporte capsular ou até mesmo lentes de âncora. A remoção do cristalino deve ser feita com extrema cautela para evitar danos adicionais ao corpo ciliar, íris ou retina.
É fundamental avaliar e tratar simultaneamente quaisquer lesões associadas: controle rigoroso da inflamação com corticoides tópicos e sistêmicos, manutenção da pressão intraocular com hipotensores, e correção de desvios refrativos pós-operatórios. Pacientes com catarata traumática apresentam risco elevado de complicações pós-cirúrgicas, como edema macular cístico, endoftalmite e fibrose capsular precoce, exigindo seguimento mais frequente nos primeiros meses após o procedimento.
A prevenção continua sendo a estratégia mais eficaz: uso sistemático de óculos de proteção em ambientes industriais, esportivos ou domésticos de risco, além de educação em saúde pública sobre segurança ocular. O diagnóstico precoce e a intervenção especializada são determinantes para preservar a função visual e reduzir a morbidade a longo prazo.