O absinto é realmente eficaz contra mosquitos? Métodos práticos para usar essa planta como repelente
O uso de artemísia (Artemisia argyi), conhecida popularmente como “ai hao” ou “folha de moxa”, tem sido tradicionalmente associado à repelência de insetos, especialmente mosquitos. Embora essa prática
O uso de artemísia (Artemisia argyi), conhecida popularmente como “ai hao” ou “folha de moxa”, tem sido tradicionalmente associado à repelência de insetos, especialmente mosquitos. Embora essa prática esteja enraizada na medicina tradicional chinesa e em saberes populares de várias regiões da Ásia, a evidência científica atual sobre sua eficácia real como repelente é limitada e inconclusiva.
Estudos laboratoriais demonstraram que óleos essenciais extraídos da artemísia contêm compostos voláteis — como cânfora, 1,8-cineol e borneol — com atividade inseticida ou repelente *in vitro* contra algumas espécies de mosquitos, incluindo o *Aedes aegypti*. No entanto, esses efeitos são observados principalmente em concentrações elevadas, em ambientes controlados e sem ventilação, o que não reflete condições reais de uso domiciliar ou ao ar livre.
Na prática clínica e epidemiológica, não há ensaios randomizados e controlados que comprovem redução significativa na incidência de picadas ou de doenças transmitidas por mosquitos (como dengue, zika ou chikungunya) associada ao uso de artemísia fresca, seca, queimada ou em infusão. A fumaça gerada pela queima de folhas de artemísia pode ter um efeito mecânico de dispersão momentânea de insetos, mas também libera partículas finas e compostos orgânicos voláteis potencialmente prejudiciais à saúde respiratória — especialmente em ambientes fechados ou em indivíduos com asma, bronquite crônica ou alergias.
As autoridades de saúde pública, como a Organização Mundial da Saúde (OMS) e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), recomendam o uso de repelentes registrados com ingredientes ativos comprovadamente eficazes e seguros, como DEET, icaridina (picaridina), IR3535 ou óleo de eucalipto citriodora (PMD). Esses produtos passaram por avaliações rigorosas de eficácia, toxicidade dérmica, duração da proteção e perfil de segurança em diferentes faixas etárias.
Em resumo, embora a artemísia tenha valor terapêutico reconhecido em contextos específicos — como a moxabustão em acupuntura — seu uso como repelente de mosquitos não dispõe de suporte científico robusto. Para proteção efetiva contra vetores, priorize estratégias baseadas em evidências: uso adequado de repelentes registrados, telas em janelas e portas, eliminação de criadouros e vestuário de proteção física.