As mulheres com câncer de pâncreas têm níveis elevados de glicose no sangue?
O câncer de pâncreas está frequentemente associado a alterações metabólicas, incluindo distúrbios na regulação da glicose. Embora não seja uma característica exclusiva do sexo feminino, estudos indica
O câncer de pâncreas está frequentemente associado a alterações metabólicas, incluindo distúrbios na regulação da glicose. Embora não seja uma característica exclusiva do sexo feminino, estudos indicam que mulheres com câncer de pâncreas têm maior probabilidade de desenvolver hiperglicemia ou diabetes mellitus de novo diagnóstico — especialmente nos 12 a 24 meses anteriores ao diagnóstico oncológico. Essa associação ocorre porque o tumor pode comprometer a função das células beta das ilhotas pancreáticas, reduzir a secreção de insulina e aumentar a resistência periférica à insulina, além de liberar citocinas e fatores tumorais que interferem no metabolismo glicídico.
Importante destacar que a hiperglicemia nesse contexto não é um marcador diagnóstico isolado, mas sim um sinal de alerta clínico relevante — particularmente quando surge em mulheres acima dos 50 anos sem histórico prévio de diabetes, obesidade ou sedentarismo. Nesses casos, a avaliação endocrinológica complementada por exames de imagem (como ultrassonografia endoscópica ou tomografia computadorizada de abdome) deve ser considerada de forma precoce, pois pode contribuir para o diagnóstico em estágio inicial, quando as opções terapêuticas são mais eficazes.
Além disso, a presença de diabetes recente associada a perda de peso inexplicada, dor abdominal vaga ou icterícia sugere fortemente uma etiologia pancreática maligna. A vigilância atenta desses sinais, combinada com uma abordagem multidisciplinar envolvendo oncologistas, endocrinologistas e gastroenterologistas, é fundamental para otimizar o prognóstico dessas pacientes.