Bicarbonato de sódio e sal conseguem tratar a psoríase?
Atualmente, não há evidências científicas que comprovem a eficácia ou segurança do uso de bicarbonato de sódio combinado com sal de cozinha no tratamento da psoríase. A psoríase é uma doença inflamató
Atualmente, não há evidências científicas que comprovem a eficácia ou segurança do uso de bicarbonato de sódio combinado com sal de cozinha no tratamento da psoríase. A psoríase é uma doença inflamatória crônica imunomediada, caracterizada por proliferação acelerada dos queratinócitos e alterações na resposta imune cutânea — condições que exigem abordagens terapêuticas baseadas em evidências, como corticosteroides tópicos, inibidores da interleucina-17 ou -23, inibidores de TNF-α, entre outros.
O bicarbonato de sódio (NaHCO₃) possui propriedades alcalinizantes e pode alterar temporariamente o pH cutâneo, mas não modifica os mecanismos patofisiológicos subjacentes à psoríase. Da mesma forma, o cloreto de sódio (sal comum), mesmo em soluções aquosas diluídas, não demonstra atividade anti-inflamatória ou imunomoduladora comprovada na pele afetada por essa dermatose. Em alguns casos, o uso inadequado dessas substâncias pode até agravar a xerose, causar irritação ou comprometer a barreira epidérmica — especialmente em lesões eritematosas ou descamativas.
A Sociedade Brasileira de Dermatologia e outras entidades internacionais, como a European Academy of Dermatology and Venereology, reforçam que intervenções não validadas clinicamente não devem substituir tratamentos com respaldo científico. Pacientes com psoríase devem ser avaliados individualmente por dermatologistas para definição de estratégias terapêuticas personalizadas, levando em conta a gravidade da doença, envolvimento articular (psoríase artrítica), comorbidades e perfil de segurança dos medicamentos.
Embora banhos termais ou soluções salinas controladas possam oferecer alívio sintomático leve em alguns indivíduos, esses recursos devem ser considerados como coadjuvantes — nunca como tratamento principal. Qualquer tentativa de automedicação com substâncias não regulamentadas para uso dermatológico representa risco potencial e pode retardar o início de uma terapia adequada e eficaz.