O sarcoma vascular tem tratamento?
O sarcoma angiossarcomatoso é um tumor maligno raro e altamente agressivo, originado das células endoteliais que revestem os vasos sanguíneos ou linfáticos. Apesar de sua raridade — representando meno
O sarcoma angiossarcomatoso é um tumor maligno raro e altamente agressivo, originado das células endoteliais que revestem os vasos sanguíneos ou linfáticos. Apesar de sua raridade — representando menos de 2% de todos os sarcomas —, ele apresenta comportamento biológico particularmente invasivo, com alta taxa de recorrência local e propensão significativa à metástase precoce, especialmente para pulmão, fígado e linfonodos regionais.
O tratamento é multidisciplinar e depende criticamente do estágio da doença, da localização anatômica, do tamanho tumoral e da capacidade funcional do paciente. A ressecção cirúrgica com margens amplas continua sendo o pilar terapêutico principal, quando tecnicamente viável. No entanto, devido à natureza infiltrativa do tumor e à frequente apresentação em áreas difíceis de acesso — como couro cabeludo, mama ou vísceras —, a obtenção de margens negativas nem sempre é possível.
A radioterapia adjuvante é fortemente recomendada após ressecção incompleta ou em casos de alto risco (por exemplo, tumores >5 cm, envolvimento linfático ou grau histológico elevado), pois demonstrou reduzir significativamente a taxa de recorrência local. Já a quimioterapia sistêmica — com esquemas baseados em paclitaxel, docetaxel ou antraciclinas — é indicada principalmente em doença metastática ou não passível de ressecção curativa, embora seu impacto na sobrevida global permaneça limitado.
Recentemente, avanços na compreensão da biologia molecular do angiossarcoma têm impulsionado pesquisas clínicas com agentes-alvo, como inibidores de VEGFR (ex.: pazopanib) e imunoterápicos (ex.: pembrolizumabe), com resultados promissores em subgrupos específicos — notadamente em tumores associados à radiação prévia ou à linfedema crônico. Estudos prospectivos randomizados ainda são necessários para validar essas abordagens.
Em resumo, sim: o angiossarcoma pode ser tratado, mas seu prognóstico permanece reservado, com sobrevida global em cinco anos variando entre 30% e 40% nos casos localizados e inferior a 15% na presença de metástases à distância. O diagnóstico precoce, a avaliação especializada em centros de referência e a participação em ensaios clínicos são fatores determinantes para otimizar os resultados terapêuticos.