O que fazer com crianças travessas e muito ativas?
É comum que crianças pequenas apresentem alta energia, curiosidade intensa e dificuldade em manter a atenção por períodos prolongados — características normais do desenvolvimento neuropsicomotor na primeira infância. Antes de rotular um comportamento como “indisciplinado” ou “hiperativo”, é fundamental avaliar se ele está dentro dos parâmetros esperados para a idade, contexto familiar, ambiente escolar e padrões de sono, alimentação e atividade física.
Crianças com temperamento mais ativo frequentemente se beneficiam de rotinas previsíveis, limites claros e coerentes, além de oportunidades estruturadas para canalizar sua energia — como brincadeiras ao ar livre, atividades rítmicas, jogos que envolvam coordenação motora fina e grossa, ou tarefas simples com responsabilidade compartilhada (ex.: ajudar a arrumar o quarto ou regar plantas). A escuta ativa, o reforço positivo específico (“Você esperou sua vez com muita paciência!”) e o modelamento de autocontrole pelos adultos são estratégias fundamentais e com sólida evidência em psicologia do desenvolvimento.
No entanto, se os comportamentos incluírem impulsividade persistente, distração excessiva que interfere significativamente no aprendizado ou nas relações sociais, agitação motora inapropriada para o contexto (ex.: correr constantemente em ambientes fechados sem conseguir acalmar-se), ou dificuldade em seguir instruções simples mesmo com suporte adequado, recomenda-se avaliação multidisciplinar. Um pediatra pode orientar sobre possíveis fatores orgânicos (como distúrbios do sono, deficiências nutricionais ou alterações sensoriais), enquanto um neuropediatra ou psiquiatra infantil poderá investigar condições como o Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH), transtornos do espectro do autismo (TEA) ou dificuldades de processamento sensorial — sempre com base em critérios diagnósticos validados (DSM-5 ou CID-11) e após observação longitudinal em múltiplos ambientes.
Lembre-se: cada criança tem seu ritmo de maturação cerebral, especialmente nas regiões pré-frontais responsáveis pelo controle inibitório e planejamento. Paciência, empatia e acompanhamento profissional qualificado são pilares essenciais — não para “corrigir” a criança, mas para apoiá-la no desenvolvimento de habilidades socioemocionais e autorregulatórias de forma saudável e sustentável.