Por que as espinhas continuam aparecendo?
Acnes recorrentes são uma queixa frequente em consultórios dermatológicos, especialmente entre adolescentes e adultos jovens, mas também podem persistir ou surgir pela primeira vez na idade adulta. A
Acnes recorrentes são uma queixa frequente em consultórios dermatológicos, especialmente entre adolescentes e adultos jovens, mas também podem persistir ou surgir pela primeira vez na idade adulta. A formação contínua de comedões — conhecidos popularmente como “cravos” ou “pintas pretas” — resulta de um processo multifatorial envolvendo hiperqueratinização folicular, aumento da secreção sebácea, proliferação da bactéria Propionibacterium acnes (atualmente reclassificada como Cutibacterium acnes) e inflamação local.
Fatores predisponentes incluem alterações hormonais — notadamente o aumento dos andrógenos durante a puberdade, síndrome das ovários policísticos (SOP) ou uso de contraceptivos orais inadequados —, genética, estresse crônico (que estimula a liberação de cortisol e, indiretamente, a produção de sebo), dieta rica em carboidratos refinados e produtos lácteos com alto índice glicêmico, além do uso de cosméticos comedogênicos ou de limpeza inadequada da pele. Em adultos, especialmente mulheres, a acne cística ou papulopustulosa perioral pode estar associada a distúrbios endócrinos sutis ou ao uso prolongado de corticoides tópicos.
O diagnóstico deve ser clínico, mas em casos atípicos, refratários ou com padrão inusual — como lesões unilaterais, nódulos dolorosos ou sinais sistêmicos — é essencial investigar causas secundárias, como síndromes adrenocorticais, tumores produtores de andrógenos ou exposição a halogenados. O tratamento personalizado depende da gravidade, tipo de lesão e perfil do paciente: desde agentes tópicos como retinoides (tretinoína, adapaleno), peróxido de benzoíla e antibióticos (clindamicina), até terapias sistêmicas como isotretinoína oral, contraceptivos combinados com baixo teor de androgênio ou antiandrogênicos (como espironolactona) em mulheres com hiperandrogenismo confirmado.
A abordagem eficaz exige não apenas controle farmacológico, mas também orientação sobre hábitos de vida: higiene facial adequada com produtos não comedogênicos, evitação de espremer lesões (risco de cicatrizes e infecção secundária), proteção solar diária — já que muitos tratamentos aumentam a fotossensibilidade — e acompanhamento dermatológico contínuo para ajuste terapêutico e prevenção de recidivas.